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Política DE NOVO?

Aviões russos em Brasília reacendem alertas diplomáticos

Chegada de aeronaves ligadas ao Kremlin ocorre em meio a sanções, guerra na Ucrânia e pressão dos EUA

02/02/2026 às 20h40 Atualizada em 04/02/2026 às 09h27
Por: Wagner Albuquerque
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O avião Ilyushin Il-96-300 foi usado para levar a delegação russa para se encontrar com Trump no Alasca (EUA) - Foto: Reprodução
O avião Ilyushin Il-96-300 foi usado para levar a delegação russa para se encontrar com Trump no Alasca (EUA) - Foto: Reprodução

A presença recente de aviões russos em Brasília voltou a levantar questionamentos nos bastidores diplomáticos e na imprensa. As viagens chamam atenção não só pelo perfil das aeronaves, usadas pelo alto escalão de Moscou, mas também pelo momento geopolítico sensível. Os pousos ocorrem poucos meses depois de um cargueiro russo sancionado pelos Estados Unidos ter passado pela capital federal sem explicações claras do governo brasileiro.

Um dos aviões que despertou curiosidade foi o Ilyushin Il-96-300, ligado ao Esquadrão de Voos Especiais do Kremlin, que esteve em Brasília no fim de janeiro. O trajeto evitou o espaço aéreo europeu, fechado a aviões russos, passando pelo Marrocos e Senegal antes de seguir direto ao Brasil. Segundo a Força Aérea Brasileira, o voo deu apoio à visita do primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, alvo de sanções americanas. A movimentação acontece num momento em que Washington pressiona países da América Latina a reduzir a influência da Rússia e da China na região.

Poucos dias depois, um segundo avião russo, um cargueiro militar IL-76MD das Forças Aeroespaciais Russas, também pousou em Brasília, após escala em Recife. O histórico recente aumenta o clima de desconfiança, já que a Rússia está em guerra com a Ucrânia e mantém relações próximas com países como Venezuela e Cuba. Em 2025, outro cargueiro russo, pertencente a uma empresa sancionada pelos EUA, esteve no Brasil e seguiu depois para esses dois países, sem que o motivo da passagem por Brasília fosse esclarecido.

Oficialmente, o governo brasileiro afirma que os voos estão ligados à realização da 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia, marcada para esta semana, em Brasília. O encontro será comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e reunirá ministros russos para discutir comércio, energia, agricultura, ciência, tecnologia e cooperação no âmbito do BRICS. Entre os temas sensíveis estão o uso de moedas alternativas ao dólar e parcerias em defesa, pontos que ajudam a explicar por que a chegada desses aviões não passou despercebida.

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