
O Partido dos Trabalhadores chegou a 2025 sonhando alto no Senado. Falava-se, nos corredores de Brasília, em ampliar bancada, ocupar espaços estratégicos e recuperar protagonismo na Casa mais poderosa da República. A realidade bateu à porta, e não pediu licença. Hoje, o PT não discute mais crescimento, discute como não encolher.
Dos nove senadores petistas, seis estão com a guilhotina eleitoral armada. E o detalhe constrangedor: um deles, Paulo Paim, sequer pretende disputar. Vai se aposentar, deixando um buraco difícil de preencher no Rio Grande do Sul, onde o PT virou peça de museu eleitoral. Essa vaga, salvo milagre, já era.
Outro caso que tira o sono da cúpula é o de Fabiano Contarato, que trocou a Rede pelo PT apostando na força do lulismo. O Espírito Santo, porém, fez o caminho inverso e deu uma guinada conservadora. Resultado: Contarato virou estranho no próprio ninho e não tem reeleição tranquila nem com reza brava.
Em Sergipe, Rogério Carvalho amarga pesquisas pouco animadoras. Aparece em quinto lugar, empacado, enquanto a oposição corre solta. Internamente, a avaliação é cruel: se a campanha não decolar logo, vai rodar.
Nem nomes mais conhecidos escapam da apreensão. Humberto Costa, em Pernambuco, enfrenta o desgaste natural de um partido que governa o país, mas já não empolga como antes no estado. Já Paulo Rocha, no Pará, depende mais de engenharia política do que de voto espontâneo.
Sobra algum alívio? Sim, mas pouco. Jaques Wagner, na Bahia, é o único que respira com relativa tranquilidade, embalado pelo lulismo ainda forte no Estado. Fora isso, o PT torce, faz conta e cruza os dedos.
Diante do risco real de sair menor, o partido apelou para uma estratégia de emergência: incentivar aliados a disputar governos estaduais para que suplentes petistas assumam cadeiras no Senado. É o famoso “ganha-perde”, em que o PT perde na urna, mas tenta ganhar no tapetão da política. Funciona? Às vezes. Resolve o problema estrutural? Nem de longe.
O diagnóstico interno é conhecido, mas raramente dito em público: o PT demorou, cochilou e deixou a oposição se organizar primeiro. Enquanto adversários montavam chapas desde 2023, o partido se perdeu entre disputas internas, prioridades erradas e excesso de confiança no recall de Lula.
O resultado é um paradoxo constrangedor: o PT governa o Brasil, mas pode sair apequenado do Senado, justamente a Casa que decide indicações ao STF, embaixadas, agências reguladoras e processos de impeachment.
No fim das contas, o projeto virou contenção de danos. Se conseguir manter os nove senadores, será tratado como vitória. Se cair para seis ou cinco, ninguém poderá dizer que foi surpresa. Os sinais estão todos aí. Falta só a urna confirmar.
No Lula 3, o problema do PT não é apenas governar mal ou bem. É não conseguir se sustentar politicamente onde mais importa.
| Senador(a) | Estado | Situação do Mandato | Cenário Eleitoral | Grau de Risco |
|---|---|---|---|---|
| Paulo Paim | RS | Mandato termina em 2026 | Já anunciou aposentadoria | 🔴 Altíssimo (cadeira praticamente perdida) |
| Fabiano Contarato | ES | Mandato termina em 2026 | Eleitorado conservador, base frágil, reeleição incerta | 🔴 Alto |
| Rogério Carvalho | SE | Mandato termina em 2026 | Aparece em 5º nas pesquisas, fora da zona de classificação | 🔴 Alto |
| Humberto Costa | PE | Mandato termina em 2026 | Nome conhecido, mas enfrenta desgaste do PT no estado | 🟠 Médio |
| Jaques Wagner | BA | Mandato termina em 2026 | Base forte, Lula competitivo no estado | 🟢 Baixo |
| Paulo Rocha | PA | Mandato termina em 2026 | Cenário indefinido, depende de alianças locais | 🟠 Médio |
| Randolfe Rodrigues | AP | Mandato vai até 2030 | Fora do ciclo eleitoral atual | 🟢 Sem risco em 2026 |
| Teresa Leitão | PE | Mandato vai até 2030 | Mandato recente | 🟢 Sem risco em 2026 |
| Beto Faro | PA | Mandato vai até 2030 | Mandato recente | 🟢 Sem risco em 2026 |
- Dos nove senadores do PT, apenas três estão seguros até 2030; dos seis que disputam reeleição, pelo menos três correm sério risco de derrota, e uma vaga já está praticamente perdida.
Meta real do PT hoje: não crescer, não derreter
Risco concreto: cair de 9 para 6 ou até 5 senadores
Estratégia: suplência, alianças forçadas e engenharia eleitoral
ELEITORADO FEMININO Flávio Bolsonaro reforça campanha com ex-presidente da Caixa e aposta no eleitorado feminino
ESTADO DE DIREITO Quando a balança parece pender para um só lado
ELEIÇÕES 2026 Bolsonaro pede união da direita e lança carta em apoio à pré-candidatura de Flávio Mín. 20° Máx. 38°