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Política DERROTA IMINENTE

O fantasma do Nordeste: Lula pode perder onde sempre venceu com folga

Pela primeira vez em sua trajetória, o presidente vê seu maior reduto eleitoral ameaçado; Ceará e Bahia viram campos minados, e o PT corre contra o tempo para evitar uma derrota histórica

01/02/2026 às 05h17 Atualizada em 01/02/2026 às 09h22
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações DP
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Lula e o governador mal avaliado do Ceará Elmano de Freitas - Foto: Reprodução
Lula e o governador mal avaliado do Ceará Elmano de Freitas - Foto: Reprodução

A possibilidade real de Lula da Silva sofrer uma derrota fragorosa no Nordeste, seu tradicional cofre eleitoral, passou de hipótese remota a pesadelo recorrente nos corredores do Planalto. O que antes era tratado como folclore de oposição hoje aparece nos relatórios internos como risco concreto. Nunca, em toda a trajetória do PT, perder o Nordeste pareceu tão plausível quanto agora. É como ver o time jogar mal justamente em casa, com a torcida impaciente e o placar ameaçando virar.

O impacto de uma derrota nordestina em outubro seria devastador. Não apenas eleitoralmente, mas simbolicamente. O Nordeste sempre funcionou como o colchão político de Lula: quando o resto do país oscilava, era ali que o presidente se apoiava. Perder esse apoio seria como tirar o motor de um avião em pleno voo. Ainda dá para planar, mas o chão se aproxima rápido.

Os pontos mais frágeis estão bem mapeados. Ceará e Bahia, dois pilares do lulismo, viraram zonas de risco. No Ceará, o governador Elmano de Freitas, visto internamente como um “poste com crachá”, patina nas pesquisas enquanto Ciro Gomes aparece na dianteira. E não é só isso: Ciro já avisou que não fará esforço algum para ajudar Lula e ainda pode pedir votos para Flávio Bolsonaro, o que, para o PT, seria o equivalente político a jogar gasolina na fogueira.

Na Bahia, o cenário também é indigesto. Jerônimo Rodrigues enfrenta dificuldades reais contra ACM Neto, que voltou ao jogo com discurso afinado, palanque forte e apetite de quem já sentiu o gosto da vitória escapar uma vez. O PT apostava que a oposição se fragmentaria, como feira de domingo sem coordenação. Mas a conta não fechou. 

Diante desse quadro, o PT discute o impensável até pouco tempo atrás: trocar candidatos no meio do caminho. É o famoso “pisca e sai”, quando o motorista percebe que entrou na rua errada e tenta corrigir antes de bater no muro. No Ceará, a cartada seria Camilo Santana, hoje ministro da Educação e ainda dono de capital político no Estado. A ideia é simples: menos ideologia, mais voto.

Na Bahia, a solução pensada segue o mesmo roteiro. Rui Costa, atual ministro da Casa Civil e ex-governador, surge como nome capaz de segurar a sangria e, principalmente, proteger Lula. Não se trata apenas de ganhar governos estaduais, mas de evitar que o presidente vire refém de palanques hostis no próprio quintal.

O problema é o tempo. Política não é Fórmula 1, mas também não perdoa atraso. Substituir candidatos exige costura fina, convencimento interno e, sobretudo, narrativa. Trocar agora pode passar a mensagem de que o governo perdeu o controle do jogo. Não trocar, por outro lado, pode significar assistir à derrota de camarote, com pipoca e constrangimento.

Outro foco de preocupação é o Rio Grande do Norte, onde o PT também sente o terreno escorregar. A soma desses riscos acendeu um alerta vermelho no partido. Não é exagero dizer que o Nordeste, antes porto seguro, virou mar revolto. O PT navega com casco pesado, bússola instável e tripulação dividida.

No fundo, o dilema de Lula é clássico: insistir na lealdade aos aliados ou agir com frieza cirúrgica para salvar o projeto maior. Em política, como no xadrez, às vezes é preciso sacrificar peças para não perder o rei. A pergunta que ronda o Planalto é simples e incômoda: ainda dá tempo de virar o jogo ou o apito final já começou a soar?

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