
Que o governo Lula vai de mal a pior já não é segredo nem entre os próprios petistas. Em público, o discurso segue disciplinado; nos bastidores, a avaliação é outra. O que antes era desconforto silencioso agora ganhou forma, porcentagem e margem de erro. Os números escancaram aquilo que a retórica oficial insiste em negar: o governo perdeu o pulso da opinião pública.
A mais recente pesquisa do instituto PoderData é direta e incômoda. Nada de interpretações criativas ou malabarismos estatísticos. Lula é reprovado por 57% dos brasileiros e aprovado por apenas 34%. Quando o foco se desloca do presidente para o governo, o cenário pouco muda: 53% reprovam a gestão, contra 41% que a aprovam. O restante não sabe ou prefere não responder, um dado que, por si só, já indica desalento e distanciamento.
O dado mais revelador, porém, está na comparação histórica. Desde a primeira pesquisa do chamado “Lula 3”, a reprovação cresceu 14 pontos percentuais. Ou seja, não se trata de um tropeço pontual, mas de uma curva contínua de desgaste. A paciência do eleitor diminui na mesma proporção em que as promessas permanecem no discurso e não chegam ao cotidiano.
É aqui que a contradição se torna ainda mais evidente. O governo investiu bilhões de reais em publicidade institucional, apostando na comunicação como antídoto para a insatisfação popular. A lógica era simples: se a realidade incomoda, melhore-se a narrativa. Mas a estratégia falhou. Quando o marketing precisa gritar, geralmente é porque a entrega foi sussurrada, ou inexistente.
Nesse contexto, cresce o peso político do fracasso atribuído ao ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, alçado à condição de última esperança para reverter o quadro. Os números, no entanto, não deixam margem para dúvida: nem o governo entregou resultados, nem a propaganda conseguiu disfarçar a ausência deles. Comunicação não substitui comida mais cara, serviços públicos precários e sensação de insegurança econômica.
A pesquisa ouviu 2.500 pessoas, por telefone, entre os dias 24 e 26 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. É estatisticamente sólida e politicamente incômoda. Ignorá-la seria repetir um erro clássico da política brasileira: confundir militância com maioria e discurso com realidade.
Não se trata mais de narrativa adversária ou de “clima artificial” criado por opositores. Trata-se de percepção social consolidada. Quando mais da metade do país reprova um presidente e seu governo, o problema não está na pergunta da pesquisa, mas na resposta da gestão.
O sol já não cabe atrás da peneira. E os números, como sempre, seguem implacáveis com governos que acreditam mais na propaganda do que na realidade.
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