
O regime chinês colocou sob investigação o general Zhang Youxia, número dois da hierarquia militar e aliado histórico de Xi Jinping. Oficialmente, Pequim fala em “violações da disciplina e da lei”, fórmula padrão usada pelo Partido Comunista em expurgos internos. Zhang ocupava a vice-presidência da Comissão Militar Central, órgão máximo das Forças Armadas, e sua queda representa um dos maiores abalos já registrados no comando do Exército de Libertação Popular.
Segundo reportagens internacionais, Zhang é acusado de corrupção, venda de cargos e até de ter vazado informações sensíveis sobre o programa nuclear da China para os Estados Unidos, acusação vista com ceticismo por analistas, mas politicamente útil para justificar sua derrubada. Também estão na mira das investigações aliados próximos, como o general Liu Zhenli, ampliando o alcance do expurgo e colocando milhares de oficiais sob suspeita.
Nos bastidores, a leitura predominante é política. Zhang vinha sendo gradualmente isolado, desapareceu de agendas públicas com Xi e passou a ser tratado como um risco ao controle absoluto do ditador sobre o Exército. A avaliação é que Xi decidiu eliminar qualquer centro de poder autônomo dentro das Forças Armadas, mesmo que isso significasse sacrificar um dos seus homens mais leais e influentes.
O resultado é um Exército profundamente remexido. Em pouco mais de três anos, cinco dos sete membros da cúpula militar chinesa foram derrubados. A instabilidade levanta dúvidas sobre a capacidade operacional da China, especialmente diante do discurso oficial de prontidão para conflitos, como uma eventual ofensiva contra Taiwan. Mais do que preparar o país para a guerra, os expurgos mostram que a prioridade de Xi segue sendo uma só: controle político total, custe o que custar.
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