
O Ministério das Relações Exteriores anunciou no domingo (25) que o Brasil passou a assumir a guarda da embaixada do México no Peru, em meio à crise diplomática entre os dois países, que se arrasta desde 2022. Segundo o Itamaraty, a responsabilidade inclui a proteção dos prédios da missão diplomática, da residência do chefe da missão, além de bens, documentos e arquivos oficiais da representação mexicana em território peruano.
A decisão foi tomada a pedido do governo do México e contou com a anuência formal do governo peruano. De acordo com o Itamaraty, a medida está amparada pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, que estabelece regras internacionais para situações em que um país assume a representação ou a proteção de interesses diplomáticos de outro.
A crise entre Peru e México se intensificou em novembro do ano passado, quando o governo peruano rompeu relações diplomáticas após o México conceder asilo à ex-primeira-ministra Betssy Chávez. Ela responde a processos por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de dezembro de 2022, liderada pelo então presidente Pedro Castillo. Após o rompimento, o Peru determinou a saída da encarregada da embaixada mexicana em Lima, decisão classificada pelo México como excessiva e desproporcional.
As relações bilaterais já vinham se deteriorando desde a destituição de Pedro Castillo, quando o então presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador concedeu asilo à família do ex-presidente peruano e deixou de reconhecer as autoridades do Peru. Apesar do impasse diplomático e da retirada de embaixadores, o comércio entre os dois países foi mantido, enquanto o México reafirmou sua tradição histórica de conceder asilo a pessoas que alegam perseguição política.
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