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Política “BOQUINHA MILIONÁRIA

Governo Lula intermediou “boquinha” milionária de Guido Mantega no Banco Master

Contratação do ex-ministro da Fazenda por R$ 1 milhão mensais, a pedido de líder do governo no Senado, expõe ligações perigosas entre poder político e o maior escândalo financeiro recente do país

26/01/2026 às 09h14 Atualizada em 26/01/2026 às 09h39
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Metrópoles
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Guido Mantega integrava o Conselho Administrativo do Banco Master - Foto: Reprodução
Guido Mantega integrava o Conselho Administrativo do Banco Master - Foto: Reprodução

Banco Master: nenhum escândalo desse tamanho prospera sem proteção institucional

Fraudes bilionárias não nascem no subsolo do sistema financeiro. Elas crescem à luz do dia, atravessam governos, circulam por gabinetes e só prosperam quando encontram, no mínimo, negligência institucional. No caso do Banco Master, cada nova revelação reforça uma constatação incômoda: um esquema dessa magnitude não sobrevive sem respaldo político direto ou indireto.

O colapso do Banco Master, já tratado como o maior escândalo da história recente do sistema financeiro brasileiro, expôs uma teia de relações perigosas entre o setor privado e figuras emblemáticas do poder público, muitas delas ligadas aos governos petistas. Não se trata mais de coincidências isoladas, mas de um padrão que exige explicações urgentes.

Entre os episódios mais simbólicos está a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, nome central dos governos Lula e Dilma. Segundo revelado, Mantega passou a receber cerca de R$ 1 milhão por mês do Banco Master para prestar serviços de consultoria. O detalhe que transforma o fato em escândalo político é outro: a contratação ocorreu a pedido do próprio governo Lula, intermediada pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT/BA).

A missão atribuída ao ex-ministro não era trivial. Mantega teria como principal função atuar nas negociações para a venda do Banco Master ao BRB, banco público do Distrito Federal. Ou seja, um ex-ministro da Fazenda, indicado politicamente, trabalhando para viabilizar uma operação envolvendo um banco privado problemático e uma instituição financeira estatal. A pergunta inevitável é: quem ganhava com isso?

A operação acabou barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. Ainda assim, a consultoria de Mantega teria continuado até poucas semanas antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo próprio BC em novembro do mesmo ano, após a revelação de uma fraude bilionária. O banco afundava, mas a consultoria seguia firme. Por quê?

As circunstâncias da contratação tornam o episódio ainda mais sensível. Mantega foi alçado ao posto no banco logo após o governo Lula desistir de indicá-lo ao Conselho de Administração da Vale, recuo motivado por forte reação negativa do mercado. Em outras palavras, quando uma porta se fechou por pressão externa, outra se abriu silenciosamente, agora dentro de um banco privado que mais tarde ruiria sob o peso das irregularidades.

A intermediação política também levanta alertas. O pedido teria partido de Jaques Wagner, que mantinha relação com Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Não é uma linha direta de ilegalidade, mas é uma linha direta de influência, e isso, num ambiente financeiro saudável, já seria motivo de escrutínio rigoroso.

Há ainda outro dado revelador. Guido Mantega esteve no Palácio do Planalto ao menos quatro vezes em 2024, período em que já atuava como consultor do banco. Oficialmente, suas agendas não registraram qualquer assunto relacionado ao Banco Master. Oficialmente. Na prática, as visitas alimentam dúvidas legítimas sobre a interseção entre sua atuação privada e o ambiente de poder.

Diante disso, as perguntas se acumulam e seguem sem resposta. Quem intermediou, de fato, essa “boquinha” milionária? Por quanto tempo Mantega trabalhou para o banco? O que exatamente ele produziu? Qual era seu papel real dentro da estrutura do Master? E, sobretudo, o que faz um consultor tão bem pago em um banco que viria a protagonizar o maior escândalo financeiro do país?

Com um currículo que inclui os cargos de ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma, presidente do BNDES, ministro do Planejamento e longa trajetória acadêmica na área econômica, Guido Mantega não pode ser tratado como um neófito no sistema financeiro. Ao contrário, trata-se de um quadro experiente, acostumado a lidar com grandes números, riscos sistêmicos, governança corporativa e relações entre Estado e mercado. Justamente por isso, causa perplexidade, e exige explicações, o fato de ele ter permanecido no Conselho de Administração e na condição de consultor do Banco Master enquanto a instituição caminhava para o colapso.

Afinal, sua reconhecida expertise não foi suficiente para identificar inconsistências, práticas temerárias ou sinais evidentes de uma fraude bilionária? Ou identificou e nada fez? Se não percebeu, falhou tecnicamente; se percebeu e permaneceu, falhou eticamente. Em qualquer dos cenários, a pergunta central permanece incômoda e inevitável: o que exatamente fazia Mantega no Banco Master, e por que continuou lá até o limite do desastre?

Nenhuma fraude desse porte é obra de um aventureiro solitário. Ela exige silêncio cúmplice, portas abertas, trânsito livre e proteção política, ainda que por omissão. O caso do Banco Master não é apenas um escândalo financeiro. É um teste para a credibilidade do governo, das instituições de controle e da disposição do país em esclarecer, sem blindagens, as ligações perigosas entre poder político e colapso bancário.

Se o Brasil quiser ser levado a sério, essas conexões precisarão ser explicadas. Com documentos, com datas, com responsabilidades. Tudo o que falta hoje, e que o caso do Banco Master insiste em escancarar.

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