
Seis anos após sua morte, Firmino Filho segue politicamente vivo. Poucos líderes conseguem manter capital político mesmo fora do jogo, menos ainda depois da morte. Firmino é exceção. Seu legado continua rendendo votos, influência e projeções eleitorais em Teresina e no Piauí, num fenômeno que mistura memória, gratidão eleitoral e ausência de novas lideranças com o mesmo peso simbólico.
Ainda em vida, Firmino conseguiu eleger a esposa, Lucy Soares, deputada estadual. Após sua morte, foi a vez da filha Bárbara Soares, conhecida como Bárbara do Firmino, conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Piauí. Agora, o bastão deve passar para a caçula da família: Cristina Soares.
A movimentação nos bastidores indica que Bárbara tende a sair de cena no próximo ciclo eleitoral, abrindo espaço para que o sobrenome Firmino continue ocupando lugar de destaque no tabuleiro político. Cristina, que herdou do pai o perfil inconformista e a postura crítica, desponta como o novo nome da família para manter vivo esse capital político.
O caminho natural parece ser o retorno ao partido que Firmino ajudou a consolidar no estado, o Partido da Social Democracia Brasileira. Caso confirme sua filiação, Cristina Soares não apenas reforça o PSDB no Piauí, como devolve à sigla um de seus símbolos mais fortes na capital. Em tempos de fragilidade tucana no Nordeste, o sobrenome Firmino funciona como âncora eleitoral e ativo estratégico.
A dúvida, por enquanto, não é se Cristina será candidata, mas a qual cargo. O nome tem densidade eleitoral suficiente tanto para a Alepi quanto para a Câmara dos Deputados, em Brasília. A definição dependerá de entendimentos políticos, cálculos eleitorais e acordos com a direção partidária, especialmente sobre composição de chapas e viabilidade real de eleição.
Cristina chega ao cenário com apoios de peso. Conta com o respaldo do presidente da executiva estadual do PSDB, Jorge Lopes, do padrinho político e conselheiro da família, o prefeito de Teresina Sílvio Mendes, e até da principal liderança nacional tucana, Aécio Neves. Não é pouco. Trata-se de uma rede de proteção e incentivo que sinaliza que o movimento é mais do que especulação: é projeto político em construção.
O retorno do nome Firmino ao PSDB também carrega forte simbolismo. Representa uma tentativa clara de reocupação do espaço político perdido pelo partido nos últimos anos, especialmente em Teresina. Firmino governou a capital por quatro mandatos e construiu uma imagem associada à gestão técnica, ao urbanismo e à eficiência administrativa. Esse imaginário ainda dialoga com parte expressiva do eleitorado urbano.
Mais do que nostalgia, o PSDB aposta na lógica de que o passado pode abrir caminho para o futuro. Em um cenário de descrédito com a política tradicional e de escassez de lideranças carismáticas, sobrenomes fortes funcionam como atalhos eleitorais. Cristina Soares surge, assim, como a tentativa de atualizar esse legado, conectando memória política com uma nova geração.
Se confirmada a filiação e a candidatura, o que se desenha não é apenas a continuidade de um projeto familiar, mas uma estratégia de sobrevivência partidária. O PSDB precisa de Firmino tanto quanto Firmino precisa do PSDB. E, ao que tudo indica, esse reencontro pode devolver aos tucanos fôlego, visibilidade e competitividade no Piauí.
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