
O assessor especial do Governo do Estado, Washington Bandeira, tem se virado nos trinta para viabilizar politicamente seu nome. Busca apoio dentro do próprio Partido dos Trabalhadores, mas também fora dele, conversando com partidos e lideranças da base aliada. Nesse esforço, bateu inclusive à porta da vice-governadoria, ainda ocupada por Themístocles Filho.
Bandeira afirma manter excelente relação com o vice-governador e com lideranças do MDB, citando deputados ligados ao grupo themistocliano. O discurso é de diálogo permanente, respeito institucional e boa convivência política. E, de fato, ninguém duvida disso. Themístocles é um gentleman da política piauiense, talvez um dos últimos. Polido, moderado, sabe ouvir, sabe falar, e, sobretudo, sabe a hora de falar. Recebe todos, trata adversários e aliados com elegância e nunca fecha portas.
O problema não está na relação pessoal. Está no contexto político.
Washington Bandeira precisa compreender um ponto central desse tabuleiro: nem o MDB, nem Themístocles Filho têm algo contra ele. Afinal, Bandeira não se lançou candidato à vaga do vice-governador. Ele foi lançado. E essa diferença muda tudo.
A pergunta que ecoa nos bastidores é simples e incômoda: quem o lançou e quem o quer, porque quer, na vice-governadoria? Essa é a verdadeira questão política. Não é um embate direto com Themístocles, porque ele não entrou nessa disputa por vontade própria. Ao contrário, é ele quem está sendo escanteado de um cargo que ocupa legitimamente.
E aqui é preciso deixar claro: Themístocles não é traíra. Nunca foi. Sua história política prova isso. Se há um desconforto nesse episódio, ele não parte do vice-governador. Parte de quem decidiu redesenhar o jogo sem combinar com todos os jogadores.
O PT e o Palácio de Karnak podem até acreditar que Themístocles Filho seja hoje uma peça fora do tabuleiro. Ledo engano. Ele não está fora do jogo. E mais: o jogo ainda não acabou.
Na política, como no futebol, há dois tempos. E é exatamente aí que mora o perigo. Não existe prorrogação, não existe replay. Quem erra no primeiro tempo pode pagar caro no segundo. Subestimar aliados históricos costuma ser um erro fatal, ainda mais quando esse aliado é conhecido pela lealdade, pela paciência e pela memória longa.
Themístocles, com seu perfil moderador, dificilmente externará mágoas ou posições definitivas. Mas silêncio, na política, quase nunca significa concordância. Às vezes, é apenas estratégia.
O Movimento Democrático Brasileiro, por sua vez, adotou uma postura institucionalmente correta: sinalizou que não pretende interferir na escolha interna do PT. Comunicou, com elegância, que sua preferência era a permanência de Themístocles na vice, mas, diante da falta de avanço, optou por não tensionar a base.
Isso não é apoio incondicional a Washington Bandeira. É prudência política. É preservar o alinhamento com o governador Rafael Fonteles e evitar uma crise pública agora. O MDB não fechou portas, mas também não assinou cheque em branco.
Washington Bandeira acerta ao dialogar. Erra se achar que diálogo significa concordância automática. Política se faz com companheirismo, honestidade, confiança e respeito, especialmente aos aliados. Escantear um vice-governador histórico sem construir uma saída consensual é abrir uma ferida silenciosa na base.
O jogo segue. Themístocles segue. E quem aposta que ele já saiu de cena pode descobrir, tarde demais, que o segundo tempo costuma ser decisivo.
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