
O socialista António José Seguro liderou o primeiro turno da eleição presidencial de Portugal neste domingo (18) e deve disputar o segundo turno, marcado para 8 de fevereiro, contra o candidato de direita André Ventura. Resultados parciais e pesquisas de boca de urna indicam Seguro com pouco mais de 30% dos votos, enquanto Ventura aparece acima das projeções iniciais, chegando a cerca de 27%, segundo dados da agência Reuters. A votação confirma um cenário de forte fragmentação política.
Em terceiro lugar ficou João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, com desempenho estimado entre 16% e 21%. Na sequência aparecem Luís Marques Mendes, apoiado pelos sociais-democratas, com cerca de 14%, e o almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo, conhecido por liderar a campanha de vacinação contra a covid-19, com quase 12%. Outros candidatos tiveram desempenho residual, incluindo o comediante Manuel João Vieira, que ficou abaixo de 1% após promessas folclóricas durante a campanha.
O avanço de André Ventura reflete a consolidação do partido Chega como principal força de oposição no Parlamento. Fundada há cerca de sete anos, a legenda antiestablishment e crítica à imigração cresceu de forma acelerada e já influencia o debate político nacional, especialmente nas políticas migratórias. Ainda assim, analistas apontam que Ventura enfrenta alta rejeição, acima de 60% do eleitorado, o que tende a dificultar sua vitória no segundo turno.

Embora a Presidência em Portugal seja majoritariamente simbólica, o cargo tem poderes relevantes, como vetar leis, dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas. Desde o fim da ditadura de Salazar, apenas uma eleição presidencial foi decidida em segundo turno, em 1986. O novo confronto entre Seguro e Ventura, portanto, vai além dos nomes: sinaliza um possível ponto de virada na política portuguesa, marcado pelo desgaste dos partidos tradicionais e pela ascensão consistente da direita.
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