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Política CRISE INTERNA NO PT

Disputa interna no PT expõe embate entre Fonteles e Wellington Dias pela vice de 2026

Governador e senador travam uma batalha silenciosa nos bastidores, enquanto o PT busca um acordo para evitar fissuras e fechar a chapa majoritária no Piauí

14/01/2026 às 08h45
Por: Douglas Ferreira
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Os “peso pesados” da esquerda piauiense: Rafael Fonteles e Wellington Dias - Foto: Reprodução
Os “peso pesados” da esquerda piauiense: Rafael Fonteles e Wellington Dias - Foto: Reprodução

PT tenta evitar racha no Piauí e busca consenso entre Rafael Fonteles e Wellington Dias

O dissenso interno sempre foi uma marca registrada do Partido dos Trabalhadores em âmbito nacional. No Piauí, isso não é novidade. O que chama atenção agora, porém, é o tamanho dos protagonistas do embate: de um lado, o governador Rafael Tajra Fonteles; do outro, o senador e ministro José Wellington Barroso de Araújo Dias. Dois pesos pesados da política piauiense disputando espaço na montagem da chapa majoritária de 2026, especialmente na escolha do vice-governador.

Nos bastidores, a queda de braço gira em torno da tentativa de ambos de emplacar nomes de absoluta confiança. O governador inclina-se claramente para o ex-secretário de Educação Washington Bandeira, hoje assessor especial do Palácio de Karnak. Já Wellington Dias trabalha para garantir protagonismo político para seu grupo, incluindo o futuro de seu filho, Vinícius Dias.

A “batata quente” caiu no colo do PT. A legenda já iniciou articulações internas para tentar equacionar a disputa sem produzir feridas profundas. A estratégia passa por dialogar diretamente com Wellington Dias, líder histórico da esquerda no estado, evitando um racha que poderia comprometer o projeto de reeleição de Fonteles.

Nos corredores do poder, a conversa corre solta: o Diretório Estadual do PT articula um encontro com o ministro ainda neste mês de janeiro. Antes disso, a cúpula da legenda se trancou em reunião reservada na noite da última segunda-feira (12), como quem fecha a porta para evitar correntes de ar — e vazamentos. Estiveram à mesa o presidente estadual em exercício, Maurício Solano, o presidente municipal do partido em Teresina, vereador João Pereira, a ex-governadora Regina Sousa, além de outras lideranças.

O encontro começou com o figurino clássico, a elaboração do plano de governo, mas não demorou para mudar o tom. Como em toda boa novela política, o roteiro avançou para a cena mais sensível: a possibilidade de Washington Bandeira integrar a chapa majoritária como vice do governador Rafael Fonteles. A discussão aconteceu a portas fechadas, dessas em que cada palavra pesa mais do que parece, e integra o calendário interno de articulações estratégicas da sigla.

Dentro do partido, o discurso oficial é de prudência. Nada estaria decidido, e a definição do vice ficaria para mais perto das convenções partidárias, previstas para julho. A avaliação interna é de que o jogo segue aberto, como um tabuleiro em que as peças ainda podem se mover, respeitando o calendário eleitoral e as instâncias deliberativas do partido.

Washington Bandeira, por sua vez, faz jogo sereno. Minimiza qualquer ruído interno e diz não perceber resistência ao seu nome. Desde a filiação ao PT, em 2024, afirma manter diálogo constante com lideranças da legenda e da base aliada, capital político construído especialmente no período em que comandou a Secretaria de Educação, onde aprendeu a arte de conversar com todos os lados do campo.

Já o governador Rafael Fonteles não esconde a preferência. Publicamente, declarou a intenção de indicar Bandeira como pré-candidato a vice em sua chapa de reeleição. Segundo ele, a decisão amadureceu após conversas com lideranças políticas, sociais e partidárias. Fonteles também reafirmou que colocará oficialmente seu nome à disposição nas convenções de julho, quando a chapa deverá, enfim, sair do papel.

O nó agora é outro, e mais apertado. A questão central é como acomodar o senador Wellington Dias caso o PT feche questão em torno de Washington Bandeira. Nos bastidores, as apostas lembram um cardápio variado: apoio integral à reeleição de Vinícius Dias para a Câmara dos Deputados, uma suplência ao Senado ou até espaços estratégicos em um eventual segundo mandato, como a Secretaria de Saúde. Por enquanto, tudo segue no terreno das especulações, onde promessas não têm CPF.

A expectativa é de que o encontro com Wellington Dias ocorra ainda em janeiro, em data a ser ajustada. Até lá, o cenário permanece em suspensão. Dentro do PT, já há quem aposte nos desfechos dessa disputa silenciosa. A legenda sabe que precisará de habilidade cirúrgica para fechar a conta sem rachar o partido, afinal, quando líderes de peso dividem o mesmo espaço, qualquer passo em falso pode custar mais do que parece.

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