
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) a imposição de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. A medida é uma resposta direta à repressão promovida pelo regime teocrático iraniano contra manifestações populares iniciadas no fim de dezembro.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a decisão entra em vigor imediatamente e não admite recursos. Segundo ele, toda transação comercial desses países com os Estados Unidos passará a ser taxada.
A iniciativa atinge diretamente China e Rússia, principais adversários geopolíticos de Washington, mas também alcança aliados históricos, como Índia e Brasil. Todos fazem parte do Brics, bloco que inclui o próprio Irã.
Apesar das sanções internacionais, o comércio exterior iraniano segue relevante. Em 2024, as exportações do país somaram US$ 112,6 bilhões, alta de 5,2% em relação a 2023, colocando o Irã na 38ª posição entre os maiores exportadores do mundo. As vendas externas representaram quase 23% do PIB iraniano.
Os principais produtos exportados foram combustíveis e óleos minerais, seguidos por plásticos e ferro e aço. A China lidera com folga como principal destino das exportações iranianas, respondendo por quase 30% do total, à frente de Emirados Árabes Unidos, Índia, Turquia e Rússia.
No sentido inverso, o Irã importou US$ 69,4 bilhões em 2024, crescimento de 4,5% em relação ao ano anterior. Máquinas, equipamentos elétricos, veículos e itens ligados ao setor nuclear lideram a pauta de compras externas. Novamente, a China aparece como principal fornecedora, seguida por Emirados Árabes Unidos, Índia, Turquia e países europeus.
O Brasil ocupa a nona posição entre os maiores exportadores para o Irã, com vendas concentradas principalmente em cereais, grãos, ração animal, frutas e açúcar, segundo dados da ONU compilados pela Trading Economics.
A nova tarifa anunciada por Trump eleva a tensão diplomática e coloca pressão direta sobre países que mantêm laços econômicos com Teerã, forçando governos a escolher entre o mercado iraniano e o acesso privilegiado à economia americana.
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