
O Irã ficou praticamente desconectado da internet desde a quinta-feira (8), em meio a protestos contra o governo que se espalham por várias cidades. Nesta sexta (9), o próprio governo confirmou que ordenou o bloqueio, alegando razões de segurança. Empresas que monitoram o tráfego digital apontam uma queda abrupta e quase total no acesso à rede.
O apagão ocorre em um momento de forte tensão social. Desde dezembro, manifestações tomam as ruas do país, impulsionadas pela crise econômica, pela desvalorização do rial e pela alta dos preços. Organizações internacionais estimam que cerca de 50 manifestantes já morreram durante os protestos.
Dados de empresas como Cloudflare, Kentik e NetBlocks mostram que o tráfego de internet despencou para menos de 0,1% do volume normal. Os gráficos indicam uma breve instabilidade no início da tarde de quinta-feira, seguida de uma queda total horas depois, caracterizando uma desconexão quase completa do país.
O bloqueio não atingiu totalmente a Starlink, rede de internet via satélite, o que permitiu acesso limitado a alguns usuários. Ainda assim, relatos indicam que o governo tentou interferir no sinal com bloqueio de GPS. Além da internet, serviços de telefonia foram afetados, caixas eletrônicos pararam de funcionar e pagamentos com cartão ficaram indisponíveis. Não é a primeira vez que o Irã lança mão desse tipo de censura digital para tentar conter protestos — mas, mais uma vez, quem paga a conta é a população.
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