
A produção de petróleo da Venezuela voltou ao centro do debate internacional após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e o anúncio de que empresas americanas poderão explorar o setor no país. Apesar de possuir as maiores reservas comprovadas do planeta, a Venezuela hoje produz cerca de 1 milhão de barris por dia, um número modesto se comparado ao Brasil, que ultrapassou 3,7 milhões de barris diários em 2025, mesmo sem reservas tão volumosas.
Um dos principais entraves está na qualidade do petróleo venezuelano. Diferente do óleo brasileiro, que é mais leve e fácil de refinar, o petróleo da Venezuela é pesado, viscoso e rico em enxofre e metais. Isso torna a extração e o refino mais caros, gera derivados de menor valor comercial e ainda aumenta as emissões de CO₂, fator cada vez mais relevante no mercado internacional de energia.
Outro problema grave é a infraestrutura. Sanções internacionais, instabilidade política e endividamento levaram à deterioração de oleodutos, refinarias, portos e sistemas de transporte. Sem capacidade adequada de escoamento e processamento, a própria estatal PDVSA foi obrigada a reduzir a produção para evitar prejuízos com armazenamento e falta de mercado. Hoje, grande parte do petróleo venezuelano segue para a Ásia, enquanto os Estados Unidos, que têm refinarias aptas a processar óleo pesado, compram volumes bem menores do que no passado.
A falta de investimentos completa o quadro. A nacionalização do setor, nos anos 2000, afastou empresas estrangeiras e provocou a perda de técnicos experientes. Com equipamentos envelhecidos, tecnologia ultrapassada e pouco capital para manutenção, a produção entrou em colapso ao longo das últimas décadas. Mesmo com o interesse dos EUA em retomar investimentos, especialistas alertam: recuperar o setor petrolífero venezuelano exigirá bilhões de dólares e anos de trabalho, não será uma virada rápida.
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