
A política do Piauí vive momentos de rearranjo, e poucos personagens carregam tanto peso simbólico e prático nesse tabuleiro quanto Francisco de Assis Moraes Sousa, o Mão Santa. Ex-governador, ex-senador e referência incontornável da história política contemporânea do estado, Mão Santa segue sendo um ativo eleitoral, moral e estratégico. Sua simples movimentação já altera o clima, reposiciona forças e reacende expectativas, sobretudo em um cenário marcado pela polarização e pelo desgaste de lideranças tradicionais.
Nesse contexto, a visita do presidente estadual do PSDB no Piauí e pré-candidato ao Senado, Jorge Lopes, à residência do ex-governador, não foi apenas um gesto de cortesia. Foi um movimento político calculado, carregado de simbolismo e de leitura estratégica. Ao buscar Mão Santa, o PSDB sinaliza que pretende dialogar com a memória, a identidade e o eleitorado que ajudaram a moldar o Piauí das últimas décadas.
A reunião contou com a presença da pré-candidata ao governo pelo PSDB, Dra. Lúcia Santos, da deputada estadual Gracinha Mão Santa, do ex-secretário da Fazenda Paulo de Tarso Moraes Souza, irmão do anfitrião, além de Adalgisa Moraes Souza e da delegada Cassandra Moraes. A composição do encontro, por si só, revelou o caráter político, familiar e estratégico da conversa.
Durante o diálogo, Jorge Lopes foi direto ao ponto ao destacar a relevância histórica e eleitoral de Mão Santa. Em tom de reconhecimento e convite, afirmou que “será uma homenagem ao maior político da história contemporânea do Piauí tê-lo conosco nesta eleição, tão crucial em tempos de polarização”. A frase não é apenas elogio, é um recado claro ao eleitorado de que o PSDB busca lastro político, experiência e identidade regional.
A fala ganha ainda mais peso quando se observa o momento do partido no estado. O PSDB, que passou por ciclos de retração e perda de protagonismo, vê na aproximação com Mão Santa uma oportunidade concreta de reposicionamento. Não se trata apenas de agregar um nome à chapa, mas de recuperar uma narrativa política baseada em carisma, enfrentamento e conexão popular, marcas registradas do ex-governador.
A recepção da proposta dentro da família foi positiva e reveladora. Coube a Paulo de Tarso Moraes Souza sintetizar o espírito do encontro ao afirmar, de forma espontânea e provocativa: “Se o Mão Santa desistir de encarar esse desafio eu topo ir para o Senado junto com o Jorge Lopes”. A declaração, além de bem-humorada, escancara a disposição da família em participar ativamente do projeto tucano.
O clima da reunião, descrito como espirituoso, animado e de alto astral, reforça uma característica histórica de Mão Santa: sua capacidade de transformar encontros políticos em eventos de entusiasmo e expectativa. Não por acaso, Jorge Lopes saiu do encontro com a percepção clara de que Parnaíba, reduto político do ex-governador, tende a reassumir protagonismo no cenário estadual.
Esse sentimento se fortalece diante do anúncio da reestruturação do PSDB em Parnaíba. Jorge Lopes explicitou o retorno de nomes de peso à legenda, como o ex-deputado Paulo Eudes, que assume a presidência municipal do partido. O movimento indica organização, musculatura política e disposição para disputar espaço de forma competitiva.
A nova configuração partidária inclui ainda a participação de quadros ligados à gestão Mão Santa, como o ex-secretário de Finanças Gil Borges e o escritor Diego Mendes nas vice-presidências, além dos ex-secretários Arlindo Leão, Anísio Neves e Israel Correia. É um time que mistura experiência administrativa, densidade política e identidade local.
No fim das contas, a aproximação entre o PSDB e Mão Santa vai além de uma eventual candidatura. Trata-se de uma convergência simbólica e estratégica. O partido ganha envergadura, história e voto; Mão Santa reafirma seu papel de fiel da balança no jogo político piauiense. Em um cenário fragmentado e polarizado, poucos nomes ainda têm o poder de reposicionar o debate. Mão Santa é, indiscutivelmente, um deles.
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