Segunda, 13 de Julho de 2026
21°

Tempo limpo

Teresina, PI

Política CONTRADIÇÃO

Lula prometeu transparência, entregou sigilo

Do “revogaço” ao apagão de informações, o terceiro mandato afunda em contradições, incoerência e descrédito popular

05/01/2026 às 09h21
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Lula da Silva e o governo de contradições - Foto: Reprodução
Lula da Silva e o governo de contradições - Foto: Reprodução

Há algo que se torna cada vez mais difícil de negar no debate político brasileiro: transparência, coerência e honestidade discursiva não figuram entre as virtudes da esquerda brasileira contemporânea. E o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, infelizmente, não foge à regra.

A contradição chegou a um nível tão escancarado que já se tornou quase um consenso entre críticos e opositores: não se deve escrever o que Lula diz, mas observar o que Lula faz. Especialmente neste terceiro mandato, o presidente tem se revelado um verdadeiro poço de incoerências, onde promessas de campanha evaporam ao primeiro contato com o poder.

Durante a campanha de 2022, Lula foi um crítico feroz do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo uso de sigilos em atos do governo, sobretudo aqueles de natureza pessoal. Jurava, com voz grave e pose de estadista, que acabaria com o “obscurantismo” e promoveria um amplo “revogaço” para restaurar a transparência.

A realidade, porém, seguiu o caminho oposto. Em apenas três anos de mandato, o governo Lula já ultrapassou a marca de 3 mil decretos de sigilo. Sim, mais de três mil. Sigilos que cobrem desde atos administrativos até despesas e compromissos da primeira-dama Janja da Silva, transformada, aos olhos da opinião pública, na gastadora-geral da República.

Dados da Controladoria-Geral da União e relatórios independentes apontam 3.287 sigilos entre 2023 e 2025, com clara resistência do governo em cumprir a Lei de Acesso à Informação. Cerca de 16% dos pedidos de informação foram negados, índice típico de governos que têm muito a esconder.

Mas as incoerências não param por aí. Lula também prometeu, em campanha, que não indicaria amigos ou aliados pessoais ao STF. Jurou “de pé junto”. O juramento, como tantos outros, não resistiu ao tempo. Indicou Flávio Dino, seu aliado político; depois Cristiano Zanin, advogado pessoal; e agora articula mais uma indicação ligada diretamente ao núcleo do governo, ampliando a percepção de aparelhamento do Supremo Tribunal Federal.

O resultado desse conjunto de contradições é visível. O governo Lula enfrenta um descrédito “nunca antes visto na história desse país”, inclusive em regiões que sempre lhe foram fiéis. Nem mesmo o Nordeste, tradicional reduto eleitoral petista, demonstra o mesmo entusiasmo.

Até hoje, o povo nordestino se pergunta por que, ao assumir, Lula fechou as torneiras da transposição do Rio São Francisco, projeto vital para combater a seca e garantir dignidade a milhões. Água é tudo. Água é vida. E quando falta água, falta também paciência.

Não é surpresa, portanto, que os índices de aprovação do presidente sigam em queda. O povo pode até ser paciente, mas não é ingênuo. Uma hora, acorda. E tudo indica que essa hibernação política está chegando ao fim. O “urso” abriu os olhos.

Para o maior país cristão do Ocidente, vale uma máxima simples e conhecida: promessa é dívida. Lula prometeu transparência. Prometeu revogar sigilos. Prometeu não repetir os vícios que tanto criticou. Só que fez o oposto e em escala.

Entregou exatamente o contrário. O “revogaço” virou lorota. O discurso virou fumaça. E o sigilo, política oficial de um governo que dizia combatê-lo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários