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Por que ainda insistimos em sustentar os Correios?

Ideologia, rombos bilionários e a recusa em aprender com os fatos

30/12/2025 às 15h02 Atualizada em 31/12/2025 às 10h45
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem gerada por inteligência artificial
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Já perdi a conta de quantas vezes vi governos de esquerda , em especial os comandados por Lula, tratarem os Correios como um patrimônio sagrado, intocável, quase um altar ideológico. A realidade, porém, é bem menos romântica. Estamos falando de uma empresa que perdeu eficiência, perdeu relevância e só não fechou as portas porque o Estado insiste em mantê‑la respirando por aparelhos pagos com o dinheiro do contribuinte. Enquanto o mundo avança, o governo insiste em uma mentalidade dos anos 70, como se defender estatais ineficientes ainda fosse sinônimo de proteger o povo.

Os números não mentem. Desde o início do terceiro mandato de Lula, as estatais federais acumulam um déficit recorde de R$ 20,5 bilhões, segundo dados do Banco Central, o maior da série histórica para o período. Só em 2025, até novembro, o rombo já soma R$ 10,3 bilhões. O problema começou em 2023, com déficit de R$ 2,2 bilhões, piorou em 2024, chegando a R$ 8 bilhões, e segue em trajetória de deterioração. Ao mesmo tempo, a dívida bruta do governo já se aproxima de 79% do PIB, pressionando ainda mais as contas públicas.

Dentro desse cenário, os Correios se tornaram o caso mais emblemático do fracasso da gestão estatal sob a esquerda. A empresa vive uma crise bilionária, já pediu empréstimo de R$ 12 bilhões para tentar aliviar o caixa e acumula prejuízos sucessivos. Só neste ano, até setembro, o déficit chegou a R$ 6 bilhões. Não há clareza sobre aportes do Tesouro, mas a conta, como sempre, tende a cair no colo do contribuinte. O governo tenta relativizar os números, fala em ciclos de investimento e uso de reservas, mas o mercado e a sociedade enxergam o óbvio: má gestão, interferência política e desperdício.

Matéria da CUT critica a tentativa de privatização dos Correios após lucro bilionário no governo Bolsonaro, alegando risco aos 99 mil trabalhadores. O curioso é que a privatização não ocorreu e, mesmo assim, a empresa voltou a afundar em prejuízos. As demissões e o sucateamento já estão acontecendo sob gestão estatal. A pergunta inevitável é: quem vai querer comprar uma empresa quebrada depois de anos de má gestão?

O contraste com o governo anterior é constrangedor. Em 2021, sob a gestão de Jair Bolsonaro, os Correios registraram lucro recorde de R$ 3,7 bilhões, mais que o dobro do resultado de 2020. Foi o terceiro ano consecutivo de lucro, com de R$ 3,1 bilhões, o melhor desempenho em mais de duas décadas. O resultado veio de medidas básicas, mas eficazes: racionalização de custos, modernização operacional, revisão de contratos, investimentos em segurança e adequação à realidade do mercado. Ou seja, gestão técnica, não ideológica. Algo que Lula e toda a esquerda insiste em não querer enxergar e implementar.

Escrevo isso com firmeza porque não dá mais para fingir que o problema é conjuntural ou inevitável. Os fatos mostram um padrão claro: quando a esquerda assume, o discurso cresce e o rombo aparece; quando há foco em eficiência e gestão, os números melhoram.

Defender os Correios como estatal hoje não é proteger o povo, é proteger um modelo falido, usado como cabide de empregos, instrumento de barganha política e fonte permanente de prejuízo, resumindo: uma máquina perfeita para alimentar corrupção e desperdício. Enquanto essa mentalidade não mudar, o país, o trabalhador formal e informal vão continuar pagando a conta de um passado que já deveria ter sido enterrado.

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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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