
As estatais federais acumulam um déficit recorde desde o início do terceiro mandato de Lula. Segundo dados do Banco Central, o rombo já chega a R$ 20,5 bilhões, o maior da série histórica para o período. Só em 2025, entre janeiro e novembro, o saldo negativo somou R$ 10,3 bilhões. O resultado negativo começou em 2023, quando essas empresas fecharam o ano com déficit de R$ 2,2 bilhões e continuou crescendo em 2024, alcançando R$ 8,07 bilhões.
O problema não está isolado. Em novembro, as estatais registraram déficit de R$ 2,9 bilhões, enquanto o setor público consolidado, União, estados, municípios e estatais, teve resultado negativo de R$ 14,4 bilhões. A dívida bruta do governo geral avançou para cerca de 79% do PIB, o equivalente a R$ 10 trilhões, reforçando a pressão sobre as contas públicas. Petrobras e bancos públicos ficam fora desse cálculo por seguirem regras próprias, semelhantes às de empresas privadas listadas em bolsa.
Os Correios tornaram-se o caso mais emblemático. A estatal vive crise bilionária, já pediu empréstimo de R$ 12 bilhões para aliviar o caixa e acumula sucessivos prejuízos: só neste ano, até setembro, o déficit chegou a R$ 6 bilhões. Em paralelo, ainda não há definição sobre aporte direto do Tesouro, e a necessidade de novos financiamentos segue na mesa, o que aumenta a apreensão em relação ao futuro da companhia.
O governo tenta minimizar o impacto dos números e afirma que o déficit primário não é, sozinho, o melhor termômetro da saúde das estatais. Alega que parte do resultado negativo vem de ciclos de investimento e uso de reservas acumuladas em anos anteriores. Mesmo assim, a combinação de déficit crescente, crise nas estatais e dívida em alta acendeu o sinal amarelo no Planalto e no mercado, com cobrança por resultados concretos e gestão mais eficiente.
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