
O desabafo público da prefeita Andressa Leal, do PT, ao afirmar que “estamos ao lado de quem manda recursos”, sintetiza um sentimento compartilhado por inúmeros gestores municipais que, ao longo dos mandatos, dependem das emendas parlamentares para tirar obras e serviços do papel. No Piauí, esse apoio tem nome e sobrenome: Ciro Nogueira.
É com recursos da União intermediados pelo senador progressista que prefeitos conseguem avançar em infraestrutura, serviços básicos e programas sociais. O gesto de gratidão, portanto, não é ideológico, mas administrativo e pragmático: reconhecer quem entrega resultados concretos à população.
A fala de Andressa Leal, compartilhada nas redes do senador, incomodou a cúpula petista. A exigência de que prefeitos do PT virem as costas a Ciro Nogueira, e, pior, recusem recursos lícitos, começa a soar esdrúxula. A pressão partiu do presidente estadual do partido, Fábio Novo, e ganhou reforço político após declarações do governador Rafael Fonteles.
O resultado prático já apareceu. O prefeito Felipe Ribeiro optou por deixar o PT a se submeter ao que classificou como uma exigência absurda e ingênua: abrir mão de investimentos para seu município por alinhamento partidário.
Nos bastidores da oposição, a pergunta ecoa: como um partido historicamente marcado por escândalos nacionais pode exigir que prefeitos recusem recursos legais, transparentes e carimbados, apenas porque considera um senador eleito como “inimigo”? Para muitos gestores, governar não é discursar, é executar.
A agenda intensa de Ciro Nogueira pelo interior, com entregas e inaugurações, reforça o contraste entre retórica e resultado. Ao agradecer a construção de uma ponte em Caraúbas do Piauí, Andressa Leal foi direta: “Estamos do lado de quem ajuda a melhorar a vida das pessoas”.
No fim, as atitudes de Andressa Leal e Felipe Ribeiro são lidas por aliados e adversários como atos de honestidade e coragem. Em ano eleitoral, o recado é simples e incômodo: prefeito governa com orçamento, não com veto partidário.
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