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Política ELEIÇÕES 2026

Emendas, ideologia e orçamento: o PT e Rafael Fonteles flertam com a debandada de prefeitos

A cruzada de Fábio Novo contra emendas de Ciro Nogueira expõe contradições do governo Rafael Fonteles e coloca gestores municipais diante de uma escolha pragmática: ideologia ou sobrevivência administrativa

26/12/2025 às 13h18
Por: Douglas Ferreira
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Rafael Fonteles - Foto: Reprodução
Rafael Fonteles - Foto: Reprodução

A proibição informal de prefeitos petistas no Piauí receberem emendas do senador Ciro Nogueira está longe de ser um ponto pacífico ou fava contada dentro e fora do Partido dos Trabalhadores. A polêmica, levantada pelo presidente estadual do PT, Fábio Novo, que prometeu punição exemplar aos gestores que mantiverem apoio ao senador progressista, já produziu seu primeiro efeito colateral concreto: uma baixa no partido.

Após sofrer suspensão partidária, o prefeito de Cajueiro da Praia, Felipe Ribeiro, optou pelo caminho mais direto e menos retórico. Preferiu, como se diz no linguajar popular, “capar o gato” e se desfiliar do PT. Um gesto que revela mais pragmatismo administrativo do que rebeldia ideológica.

A atitude dura de Fábio Novo, embora possa resultar em um desembarque em massa de prefeitos, parece contar com a anuência silenciosa do governador Rafael Fonteles. Em entrevista ao jornalista Neile Castelo Branco, da TV GP1, Fonteles falou em diálogo, mas deixou clara sua posição: prefeito do PT deve votar em senador do PT ou da base aliada de Lula.

Na prática, a tese do governador repete integralmente a linha defendida por Fábio Novo. Traduzindo sem rodeios: prefeito petista não pode aceitar emenda parlamentar de Ciro Nogueira. Caso contrário, corre o risco de punição política e partidária. A fidelidade exigida, portanto, não é apenas eleitoral, mas orçamentária.

O problema central é que o governador não explicou como pretende compensar as emendas de Ciro Nogueira. O senador se notabilizou como o parlamentar mais municipalista do Piauí, chegando a municípios onde o governo estadual entrega pouco ou quase nada. E, no mundo real, obra não nasce de discurso.

Exigir que um gestor municipal abandone recursos concretos em nome de uma fidelidade abstrata é impor subserviência cega. Mais que isso, é um tiro no próprio pé. Um prefeito sem obras, sem investimentos e sem resultados não pede voto, nem para governador, nem para presidente.

A lógica é simples, ainda que politicamente incômoda: prefeito governa com orçamento, não com ideologia. Estrada, escola, mirante, posto de saúde e infraestrutura básica não se constroem com alinhamento discursivo, mas com emenda paga e recurso empenhado.

Ao justificar sua saída do PT, Felipe Ribeiro foi direto. Disse que seu apoio a Ciro Nogueira não é ideológico, mas administrativo. As emendas do senador viabilizaram investimentos reais em Cajueiro da Praia, incluindo obras de infraestrutura e o mirante do Cajueiro Rei, um dos cartões-postais do município.

Se o gesto de Cajueiro da Praia virar tendência, o PT corre o risco de enfrentar uma debandada de prefeitos em 2026, justamente em ano eleitoral, crucial para Rafael Fonteles no Piauí e para Lula no plano nacional. Quando a ideologia entra em choque com o cofre vazio, a política costuma perder, e rápido.

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