
O sistema de pertencimento a algo ou alguém é da natureza humana. Faz parte do “corpo estrutural” de toda sociedade organizada. E, no mundo, existem vários mundos. A família é um mundo. O seu trabalho é um mundo. A igreja da qual você faz parte também é um mundo.
Toda pessoa correta, íntegra e justa gosta de pertencer a um determinado grupo. Ser membro reconhecido de uma comunidade estabelecida é realmente muito importante. Mas o que significa a palavra pertencimento?
Pertencimento é a sensação de fazer parte, ser aceito e valorizado em um grupo, família, comunidade ou organização, sentindo-se seguro, importante e conectado aos outros. Trata-se de uma necessidade humana fundamental para o bem-estar emocional e psicológico. É a percepção de que seu papel é reconhecido, que suas contribuições importam e que você não está isolado, influenciando diretamente a motivação, a confiança e o engajamento. Qual é, então, o sentido de conter ou distorcer o ato de pertencer?
Qual é o seu grupo? Já ouviu essa pergunta? O mais interessante é que, depois de as pessoas pertencerem a determinados grupos, parece que os valores éticos e morais vão diminuindo. Já sentiu isso?
Exemplo: o que leva pessoas a saírem rapidamente pela lateral de um lugar apenas para pegar os primeiros lugares na fila de um corte de bolo ou de um jantar? Qual o sentido de ultrapassar os outros e tornar-se um dos primeiros? Isso é algo grave. Tão grave que, para quem tem valores, isso fica na mente por minutos ou dias e gera inúmeras perguntas: será que estamos no lugar certo? Acabaram de falar algo bacana, que coisa boa, um ambiente onde não se deveria perder de vista os valores e comportamentos corretos. E o que acontece em seguida? Pessoas que deveriam dar o exemplo são as primeiras a sair pela lateral.
Em pessoas realmente honestas e justas, esse tipo de atitude pode gerar até mesmo problemas psicológicos. O exemplo vem de cima, e quem assiste ou presencia situações assim fica horrorizado. Certa vez, em uma comunidade religiosa, um superior da casa simplesmente entrou na frente de todos na fila, e ninguém disse nada. O que aconteceu? Gritamos imediatamente: “O senhor deveria ser o primeiro a dar o exemplo!”. O resultado foi um silêncio absoluto e, anos depois, fomos transferidos para outra cidade.
Quem prega o correto deve, antes de tudo, ser correto. Essa é uma máxima bíblica. Cumpri-la ou não revela a ordem — ou desordem — moral da pessoa. O sistema de pertencimento a uma comunidade deve ser honesto.
Qual é o seu grupo? Político, econômico, religioso ou social? O que significa, afinal, um grupo? A palavra “grupo” vem do italiano gruppo, que significava “nó” ou “amontoado”, com raízes no antigo germânico kruppaz, indicando uma “massa arredondada” ou “inchaço”. Posteriormente, passou ao francês groupe, designando arranjos de objetos ou pessoas, consolidando-se no português como conjunto ou coletividade.
A sensação nos dias de hoje é que as pessoas vivem no automático e quase sempre nem se dão conta do que fazem. Qual o sentido de pertencer a um grupo coeso e cristão e, ainda assim, desejar pegar o melhor prato da refeição ou o maior pedaço de bolo? Isso não tem lógica e é brutalmente sem sentido.
Dom Celso José Pinto da Silva chamava esses comportamentos de “calcificação das consciências”. Em outras palavras, o que isso significa? Por exemplo: um senhor contribui bastante com a igreja, sua família possui mais de quarenta pessoas participando do templo. Qual pastor ou padre terá coragem de chamar a atenção dessa pessoa por atos ilícitos ou imorais? Ou até mesmo por atitudes que ela julga pequenas, mas que são incorretas?
Está aí o retrato do caráter do pertencimento a grupos nos dias atuais. Mas por que se preocupar tanto com isso? Quando procuramos compreender melhor o caráter e a origem da palavra santidade, percebemos que ela significa viver à parte. E há mais: falar e pregar santidade é muito fácil. Difícil mesmo é vivê-la cotidianamente.
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