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Política GOVERNANÇA E PODER

A dança do vice: poder, ego e negociação no Palácio de Karnak

Entre recados públicos, pressões veladas e diálogos “consensuais”, Wellington Dias força espaço e Rafael Fonteles ensaia diplomacia, a disputa pelo vice está longe do fim.

12/12/2025 às 09h45
Por: Douglas Ferreira
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O vice de 2026 virou moeda política - e Wellington Dias quer colocar a digital, mas Rafael Fonteles já pôs os 10 dedos - Foto: Reprodução
O vice de 2026 virou moeda política - e Wellington Dias quer colocar a digital, mas Rafael Fonteles já pôs os 10 dedos - Foto: Reprodução

Quando o jogo aperta, todo mundo vira “articulador”

 

Política, dizem, é a arte da negociação. Uma frase bonita, citada em seminários, usada em discursos e repetida como mantra por quem deseja parecer estadista. No mundo real, porém, política é também o palco onde interesses particulares se fantasiam de preocupação com o bem público, uma peça que, no Piauí, continua em cartaz há décadas.

O enredo mais recente envolve o senador e ministro Wellington Dias, que, como bom estrategista, sabe que não existe poder sem sucessão, e não existe sucessão sem vice. Primeiro, tentou emplacar o filho na chapa de Rafael Fonteles. “Faiô”. Depois, mudou de tática: colocou o rapaz para circular em eventos oficiais, bater foto, marcar presença e fazer o velho “corpo mole político” que, às vezes, cola. Dessa vez, não colou.

Quando o sutil não funcionou, Dias optou pelo explícito. Foi direto, sem verniz diplomático: “Vice não se escolhe sozinho”. A frase não está errada, o problema é o subtexto, que veio sem legenda: o “sozinho”, no caso, significava “sem mim” e, quem sabe, “sem o meu indicado”. Nada de altruísmo republicano; nada de preocupação com a harmonia da base; muito menos com o cidadão. Era apenas política nua e crua.

Rafael Fonteles, por sua vez, respondeu como quem sabe jogar. Não bateu de frente, não negou, não confirmou, apenas ofereceu a Wellington Dias o que, na prática, ele já tem: participação na articulação. Deu-lhe o gesto, a palavra, o afago institucional. É uma resposta diplomática, elegante e suficientemente ambígua para não comprometer nada.

A grande questão, porém, continua no ar: essa vaga de vice não estava “prego batido e ponta virada” para Washington Bandeira? Se estava, o prego agora parece ter afrouxado. Ou, quem sabe, Fonteles apenas fez o número: agradou o aliado histórico, manteve a narrativa de unidade e segurou o jogo até onde for possível.

No Palácio de Karnak sabe-se que tempo, às vezes, resolve mais que articulação. E quem conhece Wellington Dias também sabe: O "Índio" não se contenta com apito. Quer mandar na tribo toda. E nesse jogo do poder, quer o campo, a bola e o time escalado. Não foi quatro vezes governador por acaso.

Daqui até 2026, muita água ainda vai passar debaixo da velha ponte metálica. E, no ritmo em que os movimentos estão sendo feitos, é bom que passe devagar, para que ninguém se molhe demais, ou escorregue antes da hora.

Por enquanto, a única certeza é o que Rafael Fonteles repetiu diante das câmeras: Wellington Dias participa de tudo. Participa tanto que não se sabe se está dentro da articulação… ou se está tentando conduzi-la.

Mas, como sempre, no Piauí, política é isso: um tabuleiro que não para nunca. E onde cada peça, por pequena que seja, sempre tenta parecer rei.

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