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Política RECUO ESTRATÉGICO

Gilmar Mendes recua sem voltar atrás: o STF avança mais um passo no tabuleiro do poder

Decisão parcial do ministro desarma a crise com o Senado, mas mantém intacta a blindagem que dificulta o impeachment de ministros; movimento revela estratégia calculada e avanço silencioso do Supremo sobre o equilíbrio entre Poderes

10/12/2025 às 18h13 Atualizada em 10/12/2025 às 18h54
Por: Douglas Ferreira
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Gilmar Mendes pode ter dado um “golpe de mestre” no Supremo - Foto: Reprodução
Gilmar Mendes pode ter dado um “golpe de mestre” no Supremo - Foto: Reprodução

O recuo de Gilmar Mendes não foi bem um recuo. Foi, no máximo, uma manobra tática, daquelas que jogadores experientes fazem no xadrez para mudar a posição das peças sem perder o controle do tabuleiro. A impressão que fica é clara: ele não abandonou a tese, apenas ajustou a estratégia.

O que Gilmar retirou foi o ponto que mais inflamou o Senado: a exclusividade da PGR para apresentar pedidos de impeachment de ministros do STF. Mas o restante da liminar - e é aí que mora o ouro, permaneceu intacto. Continuam valendo as novas exigências, mais duras, para que a Casa Alta processe ministros por crime de responsabilidade. Ou seja, o núcleo duro da decisão segue erguido como um muro em torno da Corte.

E é por isso que o “recuo” tem gosto de vitória.

O teste de resistência

Há quem interprete o episódio como um plano cuidadosamente montado. Uma espécie de “stress test institucional” para medir até onde o Senado reagiria. Afinal, Gilmar lançou a tese mais radical, a PGR como filtro único dos pedidos, deixou a temperatura subir, observou o contragolpe político e, no momento adequado, recolheu apenas a isca.

O anzol, porém, continuou no lago.

O Senado gritou, mas não rugiu. O recuo parcial acalmou os ânimos, mas deixou no ar uma constatação incômoda: o STF testou os limites, avançou e continua avançando, enquanto o Legislativo reage de forma fragmentada, nunca em bloco.

A liminar que não recuou

O ponto mais importante ficou de pé: o impeachment de ministros do Supremo, que já era dificílimo, agora ficou ainda mais distante. A exigência de maioria qualificada de dois terços, antes uma interpretação, agora respaldada por decisão judicial, virou um obstáculo quase intransponível.

Na prática, o que era politicamente improvável se torna institucionalmente impossível.

Assim, enquanto parte da imprensa fala em recuo, o que ocorreu foi exatamente o oposto: um consolidação silenciosa, calculada e altamente eficaz da blindagem aos ministros do STF.

O Senado como espectador privilegiado

A mensagem política é quase didática: o Supremo pode avançar, recuar, ajustar ou reinterpretar, e o Senado pode reclamar, mas segue preso à própria paralisia.

O que esperar daqui para frente? Um Legislativo que negocia termos, não princípios; um STF que, de tanto expandir sua área de influência, já atua como árbitro e jogador ao mesmo tempo; e um Executivo que observa tudo enquanto tenta sobreviver às suas próprias crises.

Gilmar, o maestro do caos organizado

Poucos dominam o tempo político como Gilmar Mendes. Ele libera uma decisão explosiva, observa a combustão, mede o oxigênio institucional, depois reorganiza o cenário deixando apenas o que lhe interessa.

A dúvida que resta é: o STF avançou?
Sim, avançou. E avançou muito.

A porta que parecia fechada para sempre, a definição das regras do impeachment de ministros, foi empurrada. E embora o ministro tenha retirado o pé para não quebrar a dobradiça, a porta agora está entreaberta, sob controle do Judiciário, com o Senado reduzido a fiador involuntário dessa nova arquitetura de poder.

O debate sobre equilíbrio entre Poderes continua, mas, a cada rodada, fica mais evidente quem está ganhando terreno.

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