
A recuperação da imagem de Lula, que o governo vendia como tendência, perdeu vapor desde junho e agora simplesmente parou de andar. A aprovação encalhou nos 32% e insiste em não subir, como um elevador preso entre dois andares. O último levantamento do Datafolha apenas confirmou o óbvio que o Planalto já teme: o ciclo de crescimento acabou. Lula perdeu fermento, e o bolo eleitoral murchou. E não adianta bater mais massa ou aumentar o forno. O ponto desandou.
A metáfora que melhor explica a situação talvez seja o velho pneu furado. Quando o ar escapa pelo pito, há esperança. Mas, quando há muitos furos, não tem borracheiro que encare. A ironia fica ainda mais interessante: não tem mais “Câmara” para consertar. Nem a dos pneus, nem a do Congresso. Lula sabe disso. Aliás, ele próprio, mestre em falar pelos cotovelos, já reconheceu: prometeu demais, entregou de menos. O povo ouviu, acreditou, esperou, e agora cobra. E cobra caro.
A frustração é generalizada. O povo se sente enganado. Usado, mais uma vez, como massa de manobra, um roteiro repetido, mas que desta vez perdeu o efeito. A famosa promessa da picanha e da cervejinha foi guardada no fundo da gaveta. O governo trocou o cardápio: agora aposta no gás de cozinha. Vai funcionar? Ninguém sabe. Gás é gás: tanto pode impulsionar quanto simplesmente se dissipar no ar, como tantas promessas.
O Datafolha só colocou números no que o Brasil inteiro já vinha percebendo: o Planalto perdeu tração. 32% acham o governo bom ou ótimo; 37% consideram ruim ou péssimo; 30% julgam regular. Tudo dentro da margem de erro, tudo estagnado. E esse gráfico congelado pesa sobre uma presidência que vinha tentando construir a narrativa da retomada. E mais: pesa sobre um presidente que há 20 anos surfava aprovação de 70% e agora empaca em menos da metade disso.
O cenário político ao redor também mudou. O efeito “Bolsonaro preso”, que antes impulsionava Lula, evaporou. A reaproximação com Trump, selada na Malásia, tirou o brilho da polarização internacional que rendia dividendos ao Planalto. Bolsonaro, mesmo fragilizado e disputado internamente pela sucessão, já não funciona como espantalho eleitoral tão eficiente. Sem um inimigo forte à vista, Lula voltou a ser medido pelo que entrega, e não pelo que enfrenta. E aí mora o problema.
Enquanto isso, o governo coleciona derrotas no Senado e enfrenta uma relação mal costurada com Davi Alcolumbre, ressentido pela escolha de Jorge Messias para o STF. O resultado foi uma pauta-bomba de impacto fiscal e um aviso claro de que o Senado não é mais extensão do Planalto. A engrenagem política emperrou. O governo não comanda mais a agenda.
Lula até tentou reagir. A isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil foi seu momento de “respiro”, ainda que pequeno. A aprovação subiu quatro pontos entre quem ganha até cinco salários. Mas nada significativo. Nada estrutural. Nada que faça a curva virar. No campo da segurança, o presidente ainda se complicou ao chamar de “matança” a operação no Rio que deixou 122 mortos. Desagradou a esquerda, irritou o centro, tensionou a direita, e não conquistou ninguém.
O retrato final é claro:
Lula segue mais popular que seu governo, mas a luz não volta a acender. Os números estão frios, duros, estáticos. A aprovação cresce aqui e cai ali, sem romper a barreira dos 32%. O governo vive um equilíbrio instável: não desmorona, mas não sobe.
E a pergunta que ecoa é simples e poderosa:
O que Lula pode entregar agora que já não tenha prometido antes, e sem cumprir?
Porque, quando o povo deixa de acreditar, meu amigo…
pode vir banhado a ouro que o povo trata como bijuteria barata.
FICOU VISÍVEL? Estratégia é mentir?
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