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Draga Alana e a sombra do PT: entrar ou ser engolido pelo partido?

Quando o voto vira mercadoria e a filiação é aposta, não estratégia, a política piauiense rende drama, barganha e contabilidade emocional

03/12/2025 às 08h19
Por: Douglas Ferreira
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Draga Alana e Dudu - Foto: Reprodução
Draga Alana e Dudu - Foto: Reprodução

A política brasileira, sejamos sinceros, é uma espécie de matemática praticada num universo paralelo, onde a lógica tira férias e a aritmética pede exoneração por estafa. Aqui, somar pode significar subtrair, multiplicar pode muito bem virar dividir, e, às vezes, a única operação realmente funcional é o zero, aquele velho conhecido que aparece quando tudo parecia caminhar. É uma ciência inexata, elástica e sorrateira, onde tudo é possível, inclusive absolutamente nada.

Por isso, não é raro ver um político entrar em um partido acreditando que está pisando firme, quando na verdade está até o pescoço em areia movediça institucional. Ele acha que está fazendo a escolha certa, que está prestes a “alavancar” sua carreira, quando, no fim das contas, vira apenas peça decorativa na prateleira do partido. Seus votos? Não vão multiplicar, vão apenas somar para eleger os outros, aqueles que realmente contam na planilha interna da legenda. Essa é a política, um moedor de votos sem dó, sem pausa e sem recibo.

Agora, quando um político entra nessa ciranda, sabendo perfeitamente disso, aí o problema é exclusivamente dele. E ninguém, absolutamente ninguém, tem qualquer obrigação de resgatá-lo. Livre-arbítrio político cobra caro, e o boleto chega em outubro. Veja o caso do vereador Draga Alana. Está forçando a barra para entrar no PT como quem implora para embarcar em um navio que já vem lotado, inclinado e com gente se empurrando no convés. Mas será que ele já parou para fazer um balanço honesto dessa mudança? Será que avaliou os prós, os contras e os “Deus me livre, mas quem me dera”? Ou está simplesmente tentando colar no partido que controla o Palácio de Karnak, acreditando que a sombra do PT é fresquinha e acolhedora?

A sombra do PT, de fato, é ampla. Mas sombra demais também dá mofo. E a pergunta inevitável é, e depois? E nas urnas? E na totalização dos votos? Será que o partido abrirá os braços para um “neófito” ou protegerá, como sempre, seus velhos caciques de estimação? Na dúvida, pergunte ao histórico de qualquer legenda com projeto hegemônico. Se tem algo que a política prova diariamente é que boas intenções não elegem ninguém, especialmente num partido cujo lema eleitoral interno poderia muito bem ser, “Aqui, companheiro, boa intenção entra pela porta e sai pela janela.”

Dudu, vice-presidente do PT no Piauí, está empenhado, e empenhado de verdade, em fazer Draga Alana entrar na chapa de deputado estadual em 2026. Tanto que acionou sua prerrogativa interna de influenciar 15% da formação da chapa, o que, numa legenda hipercompetitiva como o PT, é quase um superpoder. Ele já avisou que, se o nome do colega for rejeitado mais uma vez, ele mesmo entra na disputa, porque santo de casa não faz milagre, mas às vezes faz barulho suficiente para ganhar espaço.

A articulação já encontrou resistência, claro. Deputados estaduais do PT não querem Draga Alana por perto, não porque não gostem dele, mas porque ninguém gosta de aumentar concorrência dentro do próprio quintal eleitoral. Mesmo assim, Dudu insiste, empurra, negocia e sorri. Mais curioso ainda, Rafael Fonteles sinalizou apoio à filiação, como quem diz, “venha, mas venha sabendo onde está pisando”. Porque, no fundo, o PT quer ampliar a bancada, mas também quer manter cada cadeira no colo de quem já está sentado nela.

No final das contas, Draga Alana está prestes a entrar numa partida onde todos já conhecem o truque, o baralho e o resultado. Ele ainda está escolhendo a roupa para o jogo. E o que esperar disso? Nada além do clássico da política brasileira, “a esperança é livre, mas o partido é fechado.”

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