
JORGE MESSIAS: A novela política continua, por que a tensão entre Senado e Planalto está longe do fim
SUBTÍTULO
Alcolumbre cancela, Lula pressiona, Messias espera, e Brasília segue entregando capítulos dignos de novela mexicana - com direito a ameaças veladas, recuos calculados e muita encenação
PALAVRAS-CHAVE
Senado, Lula, Davi Alcolumbre, Jorge Messias, STF, sabatina, crise política, bastidores, pressão, articulação, Planalto
A novela da tensão entre Senado e Planalto não acabou, a plateia segue atenta e os próximos capítulos prometem surpresa. Vem coisa boa ou tudo não passa de jogo de cena? Afinal, a política, a arte do entendimento, no Brasil atual virou um jogo de interesses e, convenhamos, interesses nem sempre republicanos. A atitude de Davi Alcolumbre de cancelar a apreciação do nome de Jorge Messias para a vaga de Luiz Roberto Barroso no Supremo pode ser interpretada de duas formas, pressão e rendição. É o velho jogo do "morde e assopra" do combalido Congresso Nacional. Quem ganha com isso? Os dois, Alcolumbre e Lula da Silva. E por quê? É o que vamos ver agora.
Lula conseguiu adiar a sabatina de Messias com a ameaça de acionar aliados do STF, uma jogada típica de quem sabe que tem mais cartas na manga do que demonstra em público. Weverton Rocha, relator da indicação de Messias, saiu do encontro com Lula com dois recados bem claros, o presidente do Senado seria procurado pessoalmente e, se insistisse na sabatina sem o envio da mensagem presidencial, o assunto bateria na porta de ministros aliados no Supremo, algo nada sutil para quem conhece o roteiro político de Brasília.
Lula, além de contar com o que deseja no STF, desfruta da simpatia de boa parte dos ministros em relação ao nome de Messias, o que torna a negociação ainda mais desequilibrada. O recuo de Alcolumbre não tem relação com risco de derrota no Senado, onde o ambiente permanece controlado, e sim com o impacto que um embate direto com o Supremo poderia gerar. A dureza do presidente do Senado ao chamar a omissão do governo no envio da mensagem de “grave e sem precedentes” mostra mais insatisfação encenada do que ruptura real.
Depois que Alcolumbre anunciou o recuo, o governo já precificava possíveis derrotas em outras pautas, como o projeto antifacção, a LDO e o Orçamento de 2026, uma estratégia típica de quem recua para avançar mais à frente. Na política, vingança não se serve quente, mas “se come frio”, como diz o ditado que circula pelos corredores do Congresso.
E a novela continua, claro. E como toda boa trama latino-americana, os melhores lances costumam vir depois que o público acha que já sabe o final. Nos bastidores de Brasília, quem entende de novela mexicana e fisiologia parlamentar garante que a aprovação de Messias ainda pode surgir nos próximos capítulos. Se não for votada ali, nos últimos episódios antes do recesso, pode aparecer no apagar das luzes de 2026, naquele clima de “vamos resolver isso antes que alguém perceba”, ou até numa convocação extraordinária com direito a jetons, quando o roteiro exige emoção e o elenco topa qualquer cena para fechar o arco dramático. Porque, em Brasília, até os finais de temporada têm reviravoltas.
No fim das contas, Alcolumbre e Lula seguem jogando juntos e separados ao mesmo tempo, disputando espaço no palco enquanto fingem tensão para a plateia. E Messias? Este continua sentado na antessala da Corte, aguardando o capítulo em que finalmente deixará de ser personagem secundário para assumir seu papel definitivo na novela institucional brasileira.
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