
A prisão de Jair Bolsonaro desencadeou uma batalha interna no PL que já se tornou pública e ruidosa. Em apenas dez dias, Michelle Bolsonaro e os três filhos do ex-presidente, Flávio, Eduardo e Carlos, se enfrentaram após o diretório do partido no Ceará apoiar a articulação com Ciro Gomes para a disputa estadual de 2026. A aproximação havia sido autorizada por Bolsonaro antes de sua prisão, segundo o deputado André Fernandes, líder do PL no estado. Mas a decisão acendeu o estopim quando Michelle criticou duramente a aliança, chamando-a de precipitada e incompatível com o histórico de ataques de Ciro ao marido.
A reação da ex-primeira-dama caiu mal na cúpula do partido e provocou um racha familiar. Flávio afirmou que Michelle “atropelou” Bolsonaro e constrangeu uma das principais lideranças do PL no Ceará. Eduardo e Carlos reforçaram as críticas, defendendo Fernandes e lembrando que o movimento havia sido autorizado pelo pai. A crise cresceu a ponto de dirigentes avaliarem que Michelle prejudicou suas próprias chances de disputar a Presidência em 2026, irritando aliados e elevando tensões num momento em que o partido tenta reorganizar o campo bolsonarista sem a figura central do ex-presidente.
Diante do desgaste, Michelle publicou uma nota pedindo perdão aos enteados, mas manteve a crítica ao apoio a Ciro. O PL então convocou uma reunião de emergência em Brasília para tentar conter a crise. Após o encontro, Flávio classificou o episódio como um “ruído de comunicação”, disse já ter se acertado com a madrasta e ressaltou que decisões eleitorais devem ser tomadas internamente. André Fernandes, por sua vez, anunciou que as negociações com Ciro estão suspensas por tempo indeterminado, reconhecendo que seguirá a orientação do diretório nacional.
Mesmo com o clima aparentemente mais calmo, o imbróglio deixou marcas. Dirigentes querem que Michelle se mantenha distante das discussões eleitorais e defendem o fortalecimento de Flávio como principal porta-voz do pai. Já a estratégia para o Ceará volta à estaca zero, com o partido estudando qual nome poderá enfrentar o PT no estado, missão que, inicialmente, motivou a aproximação com Ciro Gomes. Com Bolsonaro preso e inelegível, a disputa por espaço e comando dentro do bolsonarismo está aberta, e a crise no PL é apenas o primeiro capítulo.
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