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Enquanto a base de Lula observa, Ciro Nogueira entrega: a agência da Caixa que veio pela oposição

Em Simplício Mendes, senador adversário do Planalto capitaliza obra que a bancada governista não conseguiu tirar do papel

01/12/2025 às 05h34 Atualizada em 01/12/2025 às 09h13
Por: Douglas Ferreira
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Senador Ciro Nogueira prometeu e entregou a agência da Caixa em Simplício Mendes - Foto: Reprodução
Senador Ciro Nogueira prometeu e entregou a agência da Caixa em Simplício Mendes - Foto: Reprodução

A inauguração da nova agência da Caixa Econômica Federal em Simplício Mendes, no interior do Piauí, veio acompanhada de um detalhe incômodo para o governo Lula: quem entregou a chave simbólica da unidade não foi nenhum dos aliados palacianos, mas sim o senador Ciro Nogueira, justamente um dos mais contundentes adversários do petismo no Congresso.

O episódio é, por si só, uma provocação política em forma de tijolo e vitrine. Enquanto a bancada federal majoritariamente alinhada ao Planalto posava para fotos em Brasília, debatendo pautas nacionais e defendendo o governo nas redes sociais, Ciro desceu ao município e apareceu como o responsável pela obra que seus rivais não bancaram, não priorizaram ou simplesmente ignoraram.

A agência, há anos reivindicada pelos moradores de Simplício Mendes e cidades vizinhas, ganha contornos de “presente” político, não do governo federal, mas de quem o enfrenta diariamente. É, no mínimo, irônico. O oposicionista materializa o que a base governista nem sequer conseguiu anunciar.

Ciro fez questão de ressaltar que a demanda veio do prefeito Márcio Moura e da própria população. Mas o subtexto, evidente e calculado, é outro: mostrar que, mesmo fora da engrenagem lulista, ele tem força para destravar aquilo que deputados e senadores governistas não entregaram. Para quem observa a cena, é difícil não notar o recado: competência, aqui, está falando mais alto do que alinhamento ideológico.

Dito e feito. Como prometido em fevereiro, a agência da Caixa em Simplício Mendes foi entregue - Foto: Reprodução

O senador aproveita a brecha deixada pelos aliados de Lula no Piauí, que vêm acumulando discursos, promessas e compromissos, porém poucas entregas concretas. E Simplício Mendes se torna palco de um constrangimento silencioso: a oposição está fazendo política de resultados enquanto a situação se perde em Brasília.

A inauguração também expõe um fenômeno clássico da política piauiense: quem tem ação vira protagonista; quem tem apenas discurso vira figurante. E Ciro sabe trabalhar esse contraste melhor do que muitos gostariam de admitir.

No fim, a nova agência da CEF não representa apenas comodidade financeira para a população. Representa um xeque político. Um lembrete incômodo de que o governo Lula tem maioria, mas não tem exclusividade sobre as entregas. E de que, no Piauí, o espaço que a base governista deixa vazio, a oposição ocupa com desenvoltura, e agora também com agência própria.

Simplício Mendes ganhou a Caixa.
Ciro ganhou o capítulo perfeito para o seu portfólio político.

E a bancada governista ganhou o silêncio constrangido de quem chega atrasado à própria festa.

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