
O desfile de 7 de setembro em Brasília, marcado para celebrar a Independência do Brasil, foi um dos mais esvaziados da história recente. Com uma ausência notável de público e uma tribuna cheia de autoridades, o evento parecia ter perdido o espírito de participação popular que tradicionalmente o caracteriza. Ao invés do povo, o destaque foi a presença de figuras do poder, com destaque para o ministro do STF, Alexandre de Moraes, cuja participação foi vista por muitos como um ato de desagravo.
Sem a primeira-dama Janja da Silva, que no ano anterior havia sido criticada por usar um vestido vermelho no evento, o desfile deste ano foi frio, sem a emoção que costumava marcar essa data cívica. O grito de "democracia" e a presença simbólica do Zé Gotinha em carro aberto, usados como resposta aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, não conseguiram aquecer o ânimo do público. Apenas pequenos grupos com bandeiras do PT e do MST compareceram à Esplanada, contrastando com a expectativa de até 30 mil pessoas nas arquibancadas.
A presença de Alexandre de Moraes ao lado do presidente Lula e de outros ministros do Supremo, como Luís Roberto Barroso, não passou despercebida. Vista como um gesto de apoio às suas ações, incluindo a controversa suspensão da rede social X Brasil, sua participação deu um tom político ao evento, mas sem grande apelo popular. Para muitos, o ato foi mais uma manifestação de poder entre elites do que uma celebração de independência com o calor e o engajamento da população.
O que era para ser uma demonstração de força e unidade acabou, para muitos, simbolizando o distanciamento entre as autoridades e o povo. O silêncio nas arquibancadas e a falta de emoção contrastaram com a importância da data, deixando a impressão de que o 7 de setembro foi usado como palco para um jogo político, longe das ruas e do verdadeiro clamor da nação.
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