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Silvio Almeida cai após acusações de assédio sexual: Uma "sexta-feira 13" de verdade para o ministro dos Direitos Humanos

Para Almeida, esta sexta-feira teve o impacto de uma "sexta-feira 13" real, com sua permanência no governo se tornando absolutamente insustentável

06/09/2024 às 19h56
Por: Douglas Ferreira
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O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, durante seu discurso de posse, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília - Foto: Gabriela Biló - 3.jan.2023/Folhapress
O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, durante seu discurso de posse, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília - Foto: Gabriela Biló - 3.jan.2023/Folhapress

A queda de Silvio Almeida já era iminente desde a quinta-feira, dia 5. O último golpe veio quando a primeira-dama, Janja, selou o destino do ministro ao postar uma foto de apoio à ministra Anielle Franco, a principal figura nas acusações de assédio que abalaram o Palácio do Planalto. Para Almeida, esta sexta-feira teve o impacto de uma "sexta-feira 13" real, com sua permanência no governo se tornando absolutamente insustentável.

O estopim não foi apenas o suposto assédio contra Anielle Franco, mas a onda de denúncias que começou a tomar as redes sociais, envolvendo outras mulheres e ganhando repercussão na mídia. Almeida, que até então lutava para manter o cargo, foi exonerado após uma reunião com o presidente Lula e outros ministros-chave do governo. A decisão veio no final da tarde desta sexta-feira, marcando o fim de uma breve, porém polêmica, trajetória no Ministério dos Direitos Humanos.

Em comunicado oficial, a Secretaria de Comunicação (Secom) deixou claro que a demissão de Almeida foi motivada pela gravidade das acusações de assédio sexual. “O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo, considerando a natureza das acusações”, disse a nota. Lula reafirmou ainda que o governo não tolerará qualquer forma de violência contra mulheres.

Silvio Almeida tentou se defender, alegando que as denúncias eram parte de uma campanha para manchar sua imagem como homem negro em uma posição de destaque. Ele reuniu vídeos e mensagens para tentar desmentir as acusações e até sugeriu que membros do próprio governo estavam por trás das denúncias em uma espécie de "fogo amigo". No entanto, a pressão dentro e fora do governo cresceu exponencialmente, e a base petista, que inicialmente o apoiava, começou a se afastar.

As denúncias, que teriam começado há semanas e foram intensificadas após a ONG Me Too Brasil receber relatos sobre o comportamento do ministro, chegaram ao ápice quando figuras importantes do PT, como os senadores Paulo Paim e Fabiano Contarato, se manifestaram publicamente em apoio a Anielle Franco e exigiram uma investigação aprofundada.

A postura silenciosa de Anielle Franco durante a maior parte do episódio deu lugar a um apoio cada vez mais vocal por parte de suas colegas de governo e da sociedade civil. E quando Janja, a primeira-dama, expressou seu apoio incondicional a Anielle, ficou claro que Silvio Almeida não teria mais como se sustentar no cargo.

Agora, a vaga de ministro dos Direitos Humanos está em aberto, e especulações sobre possíveis sucessores já começaram. Partidos do Centrão, como o MDB, já sondam nomes para ocupar o posto, enquanto o governo busca uma solução que não só reforce o compromisso com os direitos humanos, mas também recupere a confiança após este episódio turbulento.

O caso de Silvio Almeida é um lembrete poderoso de que, em um governo que se comprometeu com a luta pelos direitos humanos, não há espaço para qualquer tipo de assédio ou violência. A queda do ministro, que lutou até o fim, marca uma nova fase de tensão dentro do Planalto, e o desfecho pode redefinir os rumos da pasta que ele liderava.

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