
A vereadora Samantha Cavalca (PP) não economizou críticas ao relatório final apresentado pelo vereador Edilberto Borges, o Dudu (PT).
E suas críticas têm fundamento.
A CPI concluiu que não houve rombo, apenas um déficit financeiro.
Tudo muito limpo, muito suave, muito confortável - confortável demais para quem deveria ser investigado.
Segundo Cavalca, o relatório:
Ignora denúncias já comprovadas por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado.
Não aprofunda dados que apontavam irregularidades.
Deixa de ouvir peças-chave, sobretudo o ex-prefeito Dr. Pessoa.
E aqui está o ponto mais sensível:
como investigar uma gestão sem ouvir o principal responsável por ela?
Dr. Pessoa, o gestor que teve as contas rejeitadas tanto pelo TCE quanto pela Câmara Municipal, e que teve auxiliares diretos presos pela Polícia Federal, sequer foi ouvido.
Seria inocente demais acreditar que seu depoimento mudaria tudo. Ele provavelmente negaria irregularidades.
Mas negar também é material investigativo: confronta, expõe, permite avaliar contradições e medir responsabilidades.
Sem isso, o relatório perde densidade, perde rigor e perde credibilidade.
Fica parecendo, como dizem nos bastidores, um documento “de faz de conta”.
Não foi só Samantha.
Há vereadores que afirmam que membros da CPI participaram da gestão investigada, o que comprometeria a isenção.
O próprio relator, segundo relatos, teria indicado pessoas para cargos no governo Dr. Pessoa.
Se isso for verdade, e parece ser, o relatório nasce marcado por conflito de interesses.
Nasce frágil.
Nasce suspeito.
E uma CPI suspeita não encontra a verdade: ela a protege.
Essa é a questão que paira no ar.
O documento apresentado:
Não responsabiliza
Não recomenda punições
Não aponta culpados
Não confronta os dados do TCE
Não dialoga com a realidade da cidade, deteriorada pela má gestão
Se a própria vereadora lembra que “o roubo verdadeiro é ver como Teresina ficou debilitada”, o relatório deveria ao menos reconhecer isso.
Não reconhece.
Então, qual será a utilidade prática desse documento?
Vai para a gaveta?
Vai engordar arquivo morto?
Vai servir de escudo político para quem precisa?
A CPI do Rombo poderia ter sido um momento importante para recuperar a confiança da população na Câmara.
Poderia ter sido uma resposta séria à sequência de escândalos que marcou a gestão passada.
Mas preferiu o caminho mais confortável, e, por isso, o mais desastroso em termos de credibilidade.
Quando a sociedade percebe que uma CPI evita perguntas, evita nomes, evita conflitos e evita responsabilidades, ela naturalmente conclui:
acabou em pizza.
E, neste caso, a impressão geral é justamente essa.
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