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Política RELATÓRIO FINAL

Quando a CPI vira pizza: o rombo que sumiu no papel, mas não na cidade

Relatório ignora peças-chave, repele fatos já comprovados e reforça a sensação de que a CPI serviu mais para blindar do que para investigar

18/11/2025 às 18h29
Por: Douglas Ferreira
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Vereadora Samanta Cavalca - Foto: Reprodução
Vereadora Samanta Cavalca - Foto: Reprodução

A vereadora Samantha Cavalca (PP) não economizou críticas ao relatório final apresentado pelo vereador Edilberto Borges, o Dudu (PT).
E suas críticas têm fundamento.

A CPI concluiu que não houve rombo, apenas um déficit financeiro.
Tudo muito limpo, muito suave, muito confortável - confortável demais para quem deveria ser investigado.

Segundo Cavalca, o relatório:

  • Ignora denúncias já comprovadas por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado.

  • Não aprofunda dados que apontavam irregularidades.

  • Deixa de ouvir peças-chave, sobretudo o ex-prefeito Dr. Pessoa.

E aqui está o ponto mais sensível:
como investigar uma gestão sem ouvir o principal responsável por ela?

A ausência que fala mais alto

Dr. Pessoa, o gestor que teve as contas rejeitadas tanto pelo TCE quanto pela Câmara Municipal, e que teve auxiliares diretos presos pela Polícia Federal, sequer foi ouvido.

Seria inocente demais acreditar que seu depoimento mudaria tudo. Ele provavelmente negaria irregularidades.
Mas negar também é material investigativo: confronta, expõe, permite avaliar contradições e medir responsabilidades.

Sem isso, o relatório perde densidade, perde rigor e perde credibilidade.
Fica parecendo, como dizem nos bastidores, um documento “de faz de conta”.

A crítica de Cavalca ecoa em outros vereadores

Não foi só Samantha.
Há vereadores que afirmam que membros da CPI participaram da gestão investigada, o que comprometeria a isenção.
O próprio relator, segundo relatos, teria indicado pessoas para cargos no governo Dr. Pessoa.

Se isso for verdade, e parece ser, o relatório nasce marcado por conflito de interesses.
Nasce frágil.
Nasce suspeito.

E uma CPI suspeita não encontra a verdade: ela a protege.

A pergunta incômoda: serve para quê esse relatório?

Essa é a questão que paira no ar.

O documento apresentado:

  • Não responsabiliza

  • Não recomenda punições

  • Não aponta culpados

  • Não confronta os dados do TCE

  • Não dialoga com a realidade da cidade, deteriorada pela má gestão

Se a própria vereadora lembra que “o roubo verdadeiro é ver como Teresina ficou debilitada”, o relatório deveria ao menos reconhecer isso.
Não reconhece.

Então, qual será a utilidade prática desse documento?

Vai para a gaveta?
Vai engordar arquivo morto?
Vai servir de escudo político para quem precisa?

CPIs não precisam terminar em pizza. Mas algumas insistem.

A CPI do Rombo poderia ter sido um momento importante para recuperar a confiança da população na Câmara.
Poderia ter sido uma resposta séria à sequência de escândalos que marcou a gestão passada.

Mas preferiu o caminho mais confortável, e, por isso, o mais desastroso em termos de credibilidade.

Quando a sociedade percebe que uma CPI evita perguntas, evita nomes, evita conflitos e evita responsabilidades, ela naturalmente conclui:
acabou em pizza.

E, neste caso, a impressão geral é justamente essa.

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