Segunda, 13 de Julho de 2026
22°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Política FAVORECIMENTO

Jorge Messias ignorou alertas sobre o sindicato do irmão de Lula, e agora colhe os frutos da própria omissão

Jorge Messias se atrapalha, ignora pareceres internos, protege o irmão de Lula e transforma a Advocacia-Geral da União em um bunker político — acumulando erros que já repercutem dentro e fora do governo

18/11/2025 às 06h49
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Lula e o fiel Messias agora indicado ao STF - Foto: Reprodução
Lula e o fiel Messias agora indicado ao STF - Foto: Reprodução

O ministro Jorge Messias, o “Bessias”, tornou-se, nos últimos anos, mais que um advogado-geral da União: transformou-se no verdadeiro cão de guarda do governo Lula. Não da instituição Presidência da República — mas da família que ocupa o poder. Primeiro serviu com devoção à ex-presidente Dilma Rousseff; agora demonstra uma fidelidade quase sacerdotal a Lula. Faltava apenas o gesto simbólico que selasse essa relação. Ele veio: Messias ignorou alertas internos da própria AGU sobre o envolvimento do sindicato presidido pelo irmão de Lula, Frei Chico, no esquema bilionário que saqueou aposentados e pensionistas por meio de descontos fraudulentos no INSS.

A revelação — feita por reportagem de Vinícius Valfré, do Estadão — lança luz sobre um episódio constrangedor, incômodo e inevitável: Messias sabia. E mesmo assim não agiu.

O alerta ignorado

Em abril de 2024, um setor da AGU que reúne 63 procuradores na região Sul concluiu que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindicapi/FS) - onde Frei Chico, irmão de Lula, ocupa a vice-presidência - estava entre as nove principais entidades com aumento explosivo de ações por descontos indevidos. O documento era claro: havia indícios, havia rastro, havia padrão. E, principalmente, havia recomendação expressa para que o INSS fosse acionado e os convênios fossem suspensos.

O relatório seguiu o trâmite formal, chegou à Corregedoria da AGU, chegou ao ministro substituto, chegou à mesa do próprio Jorge Messias.

Mas não chegou às ações judiciais propostas meses depois, quando Messias foi à Justiça bloquear bens de entidades suspeitas. Entre as nove apontadas internamente, seis simplesmente desapareceram da lista oficial, incluindo exatamente aquela cujo vice-presidente atende por José Ferreira da Silva, o Frei Chico.

A resposta oficial da AGU é, no mínimo, esquiva: o relatório seria apenas “gestão processual”, não apontava fraudes, não tinha objetivo investigativo.
Mas se não havia objetivo investigativo, por que o documento pedia explicitamente o cancelamento de convênios?
Se não havia indícios suficientes, por que seis das nove foram poupadas, justamente as de maior peso e maior ligação política?
E por que nenhuma ação preventiva foi tomada diante de um esquema que já movia bilhões?

Um esquema gigantesco, e velhos conhecidos

Desde 2016, entidades como Sindnapi, Contag, Cobap e Master Prev movimentaram bilhões em descontos associativos, muitos deles fraudulentos, segundo investigações da PF e da CGU.
Só a Contag, historicamente vinculada ao PT, arrecadou R$ 3,4 bilhões.
O Sindnapi, de Frei Chico, movimentou R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2025.

Quando a AGU finalmente pediu o bloqueio de bens, já em maio de 2025, o cenário era outro: as fraudes estavam expostas, a Operação Sem Desconto da PF havia sido deflagrada, o escândalo já corria o país, e o dano aos aposentados já havia sido causado.

Messias errou, ou protegeu?

A grande pergunta agora é inevitável:
Messias foi negligente - ou leal demais ao governo e sua estrutura sindical?

As possibilidades são três:

1. Inoperância técnica

Se Messias realmente entendeu, ou quis fazer parecer, que o relatório interno “não servia para nada”, então falhou como gestor e chefe da AGU.
Falhou grave.

2. Estratégia política

Ao não incluir entidades ligadas ao PT e à Força Sindical, Messias evitou um terremoto político às vésperas de operações sensíveis da PF.
Ou seja: protegeram aliados e preservaram danos colaterais ao presidente.

3. Lealdade pessoal

A hipótese mais comentada nos bastidores:
Messias protegeu Frei Chico porque sabia exatamente quem estaria no centro do escândalo, e preferiu poupar a família Lula.

Coincidência ou recompensa?

Agora, ironicamente, ou simbolicamente, Jorge Messias é o favorito para a vaga de Barroso no STF.
Coincidência?
Recompensa?
Ou apenas o resultado previsível de anos de fidelidade exemplar?

As perguntas que o governo evita responder

  1. Por que Messias ignorou o próprio corpo técnico da AGU?

  2. Quem decidiu que seis das nove entidades seriam “poupadas”?

  3. A AGU comunicou Lula sobre o envolvimento do irmão?

  4. Houve interferência política?

  5. Por que a AGU só agiu após a PF expor o escândalo?

  6. Se a AGU não tem papel investigativo, por que produziu então relatórios sugerindo ações concretas?

A CPMI que agora se debruça sobre o caso terá uma missão simples - mas essencial: descobrir se Jorge Messias errou como ministro… ou acertou como defensor pessoal de Lula.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários