
No Brasil do Lula 3, o noticiário político virou praticamente uma série de TV. Só que daquelas longas, intermináveis, com muitos personagens e sempre com um novo vilão surgindo no episódio seguinte. O “escândalo da semana”, claro, envolve quem? Um familiar? Um aliado? Um ex-sócio de alguém com sobrenome presidencial? Pois é. Desta vez, a estrela é Kalil Bittar, ex-sócio de Lulinha, que, segundo a PF, decidiu fazer turismo político na China - e de quebra, vender influência dentro do governo.
A Polícia Federal afirma que Kalil se apresentou por lá como alguém com portas abertas no Planalto, quase um consultor premium da República. E, convenhamos, se tem uma coisa que abre portas neste país, não é currículo: é amizade com filho de presidente. Até julho de 2023, ele era sócio de Luís Cláudio Lula da Silva, o famoso Lulinha. Com esse cartão de visitas, Kalil teria usado a viagem do vice-presidente Geraldo Alckmin à China como prova de “acesso Vip”. É o famoso olha onde eu tô e com quem eu ando.
A PF não está falando em teoria da conspiração: há fotos do sujeito integrado à comitiva brasileira, enviadas por ele próprio para reforçar sua autoridade perante empresários. A juíza do caso até registrou no despacho: o moço estava ali, passeando ao lado do vice-presidente no dia 8 de junho de 2024, bem no mesmo período da agenda oficial. Coincidências acontecem... mas não tantas assim.
Alckmin, por sua vez, disse que “viajou sem empresários na comitiva”. Claro. A frase é tão convincente quanto “eu só estava segurando para um amigo”. Segundo a assessoria, os empresários que lá estavam “não foram convidados pessoalmente”. Talvez tenham aparecido seguindo o cheiro do "yakisoba". A defesa de Kalil também garante: ele não fez parte da comitiva oficial, apenas estava na China... ao mesmo tempo... nos mesmos lugares... fazendo negócios nebulosos... mas tudo mera coincidência.
O problema - ou a graça, dependendo do ponto de vista — é que Kalil não estava sozinho na dança. Segundo a PF, ele teria recebido R$ 210 mil em “mesadas” de André Mariano, o empresário no centro da operação Coffee Break. “Mesada”, aliás, é um termo fofo para um esquema que envolvia propina, direcionamento de licitações e produtos superfaturados. O modelo de negócio era simples: um livro de R$ 5 virava produto de R$ 80 com um carimbo público. O verdadeiro milagre da multiplicação.
Mas o elenco cresce. Além do ex-sócio de Lulinha, entra em cena quem? A ex-nora de Lula, Carla Ariane Trindade, alvo de buscas da PF; Magno Romero; e os secretários de Hortolândia, Cafú e Fernando Gomes. O Cafú, aliás, é cria dos tempos do mensalão e circula pelo MEC como quem entra pela cozinha. Só entre 2022 e 2024, ele participou de reuniões com o secretário-executivo do MEC e com o gabinete do próprio Lula. Propina recebida? Segundo a PF, R$ 1,3 milhão. Tudo em nome da educação, claro.
Fernando Gomes também não ficou para trás. Não bastasse atuar no FNDE, ainda teve viagens pagas pelo empresário para reuniões em Brasília. Ele foi o responsável por apresentar Mariano à ex-nora de Lula. É a famosa “ponte do amor”, só que aqui a ponte é feita de pregões, propinas e contratos superfaturados. Família é tudo.
E enquanto isso? O filho do presidente volta a aparecer no radar das investigações. O irmão de Lula, o famoso Frei Chico, figura histórica do sindicalismo, aparece atolado até o pescoço nas maracutaias envolvendo o INSS. Janja da Silva, bom, nem precisa comentar: virou influencer de Brasília — só que com acesso irrestrito aos corredores do poder e influência que ninguém consegue explicar oficialmente.
O mais curioso é como tudo isso foi ficando… normal. O país olha para mais um escândalo envolvendo a família presidencial como quem olha para chuva: “ah, de novo?”. A naturalização da sujeira virou política pública não declarada. A impressão é que, no Brasil, embora lobby, não seja oficialmente crime - ocupa uma área cinzenta da lei por falta de regulamentação - mas é uma ótima credencial. E quanto mais perto você estiver da família do chefe, mais portas automáticas se abrem.
No final das contas, a operação Coffee Break acabou revelando não apenas um esquema criminoso, mas um padrão de comportamento: familiar, amigo ou ex-qualquer-coisa de Lula parece ter acesso, trânsito, influência e, claro, problemas com a PF. A foto de Kalil desfilando ao lado de Alckmin na China é o símbolo perfeito desse governo: o lobby viaja de executiva, enquanto o contribuinte vai de joelhos.
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