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Política DEPENDÊNCIA SOCIAL

Bolsa Família 2025: o calendário que paga a conta — e mantém o Brasil preso ao assistencialismo

Enquanto o governo celebra números bilionários do programa, o país segue dependente de uma política que alivia a miséria, mas perpetua a dependência e desestimula o trabalho — exatamente como alertavam Gonzagão e Zé Dantas há 70 anos

14/11/2025 às 08h01 Atualizada em 14/11/2025 às 09h09
Por: Douglas Ferreira
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Cartão do bolsa família o passaporte que não tira o cidadão da pobreza - Foto: Reprodução
Cartão do bolsa família o passaporte que não tira o cidadão da pobreza - Foto: Reprodução

A Caixa inicia na sexta-feira, 14, mais um ciclo de pagamentos do Bolsa Família, com o roteiro de sempre: depósitos nos últimos dez dias úteis, milhões de beneficiários na fila de boca aberta e consciência vazia. E o governo celebrando um programa que, embora alivie a miséria imediata, segue alimentando uma dependência que já virou método político.

Em outubro, foram 18,91 milhões de famílias contempladas — mais de um quinto da população — movimentando R$ 12,89 bilhões e reafirmando que, no Brasil, a pobreza é sempre um ativo eleitoral valioso. O valor médio pago, de R$ 683,42, é suficiente para manter a população respirando, mas não para permitir que caminhe com as próprias pernas.

Pior: como já advertiam Luiz Gonzaga e Zé Dantas na imortal Vozes da Seca, “uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. E o país, infelizmente, parece ter escolhido a segunda opção.

O governo continua apostando em uma política que deveria ser a porta de saída da pobreza, mas virou porta de entrada para a dependência permanente. O trabalhador, cada vez mais esmagado por um mercado formal frágil e por benefícios que compensam o mínimo, acaba encontrando mais estabilidade nas mãos do Estado do que no próprio emprego.

O resultado? Um país estagnado entre a necessidade real de proteção social e o conforto político de manter milhões reféns de programas que resolvem o hoje, mas impedem o amanhã.

Para não perder o costume, eis o calendário do mês de novembro — o mapa da sobrevivência mensal de milhões de brasileiros:

  • 14/11: NIS final 1

  • 17/11: NIS final 2

  • 18/11: NIS final 3

  • 19/11: NIS final 4

  • 21/11: NIS final 5

  • 24/11: NIS final 6

  • 25/11: NIS final 7

  • 26/11: NIS final 8

  • 27/11: NIS final 9

  • 28/11: NIS final 0

Já o calendário de 2025 reforça a mesma lógica:

  • Novembro: 14/11 a 28/11

  • Dezembro: 10/12 a 23/12

Enquanto isso, o governo segue comemorando como se assistência fosse sinônimo de desenvolvimento. E o trabalhador brasileiro, cada vez mais, parece preso à engrenagem de um Estado que estende a mão — mas nunca solta a sua.

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