
O presidente Lula da Silva convocou para esta sexta-feira uma reunião com o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, após retornar de compromissos em Goiânia (GO). A reunião ocorre em meio às graves acusações de assédio sexual envolvendo Almeida, conforme denúncias recebidas pela organização Me Too Brasil. O ministro nega categoricamente as acusações, enquanto Anielle, apontada como uma das supostas vítimas, mantém silêncio sobre o caso.
Nos bastidores, porém, o cenário é tenso. Integrantes do governo já veem a permanência de Silvio Almeida no cargo como insustentável, e a aposta generalizada é de que Lula terá que afastar o ministro para conter a crise. A reunião com os dois ministros, embora ainda envolta em sigilo, pode ser o momento decisivo para que o presidente cobre explicações, tanto do acusado quanto da suposta vítima.
Interlocutores do Planalto, que têm acompanhado de perto o desdobramento do caso, acreditam que a queda de Almeida é quase inevitável. A gravidade das denúncias, associada à pressão pública e interna, coloca o governo em uma encruzilhada, forçando Lula a agir rapidamente para evitar que o escândalo tome proporções maiores e comprometa ainda mais sua gestão.
É impossível não traçar um paralelo entre o silêncio em torno das acusações contra Silvio Almeida e o alarde midiático em torno de casos semelhantes, como o de Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica. No caso de Guimarães, a mídia não poupou manchetes e o levou ao escracho público em questão de dias. Agora, diante das denúncias de assédio contra o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, a reação parece tímida, quase silenciosa, como se o peso da gravidade fosse menor. Por quê?
As acusações, que envolvem a ministra Anielle Franco, são gravíssimas. Toques inapropriados, beijos forçados, e expressões chulas de conotação sexual formam o cerne das denúncias que, se provadas, poderiam abalar as estruturas do governo. Anielle Franco, que se apresenta como uma voz importante no feminismo brasileiro, ainda não se manifestou de maneira contundente sobre o caso. Um silêncio desconcertante de quem, teoricamente, deveria ser a primeira a levantar a voz.
E a mídia? Em outras circunstâncias, essas denúncias teriam tomado conta das manchetes, mas agora parecem abafadas. Até quando esse silêncio vai prevalecer? Por que a abordagem é tão branda? A esposa do presidente Lula, Janja, chegou a demonstrar apoio a Anielle em redes sociais, mas o impacto parece ter sido apenas superficial. Enquanto isso, Silvio Almeida grava vídeos negando as acusações, mas não há sinais de um desfecho próximo.
Agora, com a Polícia Federal abrindo inquérito para investigar os episódios, a situação começa a ganhar uma nova dimensão. A pergunta que fica é: o que o presidente Lula fará se as acusações forem confirmadas? O governo, que se apresenta como defensor dos direitos humanos, pode ver sua credibilidade desmoronar caso não haja uma resposta firme.
As supostas vítimas, especialmente Anielle Franco, têm a responsabilidade de falar. O silêncio, neste caso, pode ser ensurdecedor. E para o governo Lula, a tolerância para este tipo de comportamento poderá ser fatal, especialmente se a investigação revelar a veracidade das denúncias. O que começou como uma denúncia tímida, pode, assim como no caso Guimarães, se transformar em um furacão que o Planalto não será capaz de controlar.
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