
A cena política piauiense vive um daqueles momentos que misturam ironia, estratégia e contradição. Bárbara Soares, a Bárbara do Firmino, deputada estadual e filha do ex-prefeito Firmino Filho, está prestes a dar um passo que simboliza mais que uma simples mudança partidária: pode ser a ruptura definitiva com o legado político de seu pai — um dos maiores opositores do Partido dos Trabalhadores (PT) no Piauí.
Sim, a filha de Firmino está com um pé dentro do PT. Mas, como na metáfora do equilíbrio precário, se quiser se manter de pé, precisará colocar o outro — e com firmeza — no terreno ideológico que seu pai combateu por toda a vida. E isso, convenhamos, tem um custo político alto.
Firmino Filho construiu sua trajetória sob pilares opostos ao lulopetismo: gestão técnica, austeridade fiscal e antipopulismo. Bárbara, ao contrário, parece disposta a trocar a bússola ideológica herdada por um novo mapa político — mais conveniente ao cenário atual, mais alinhado ao poder de turno.
A deputada foi eleita montada no espólio político do pai e no apoio do grupo de Ciro Nogueira (Progressistas). Mas logo rompeu com essa base, abraçando o projeto de Fábio Novo (PT) em Teresina e, agora, flertando abertamente com o partido de Lula e Rafael Fonteles.
O PT, por sua vez, faz o que sabe fazer melhor: abrir os braços para quem pode render dividendos eleitorais. O vereador Dudu Borges já deixou claro: “Bárbara será muito bem-vinda no PT”. Para ele, a entrada da deputada oxigenaria o partido e fortaleceria o projeto de reeleição de Lula e Rafael.
Mas a questão é: oxigenar o PT ou asfixiar o próprio legado?
A adesão de Bárbara soa, para muitos, como traição simbólica a tudo que Firmino representou. E a pergunta é inevitável:
Por convicção ou conveniência política?
Se for por convicção, é uma guinada ideológica legítima — mas corajosa o suficiente para enfrentar o olhar crítico do eleitorado fiel ao pai?
Se for por conveniência, é apenas mais um capítulo da velha política que Firmino combatia: a de quem muda de bandeira conforme o vento do poder sopra.
O eleitor de Firmino Filho — aquele que o via como exemplo de integridade e coerência — aceitará essa aproximação com o PT?
Difícil prever. Mas é certo que essa decisão definirá o futuro político de Bárbara Soares.
Assinar a ficha petista pode dar-lhe fôlego político, acesso a estrutura, cargos e palanque. Mas também pode sufocá-la sob o peso da incoerência — transformando-a de herdeira política em apenas mais uma aliada circunstancial do governo.
No fim, o gesto de Bárbara é simbólico: não se trata apenas de uma mudança de partido, mas de uma ruptura entre passado e presente, entre legado e ambição, entre o que Firmino foi e o que Bárbara escolheu ser.
BLOQUINHO DO NIKOLAS Teresina terá Bloquinho 22 de Nikolas Ferreira no próximo sábado
FICOU VISÍVEL? Estratégia é mentir?
IMPEACHMET Moraes diante do novo Senado: impeachment, perda de proteção política e o risco de entrar para a história do STF
DECLARADO ELEITO Douglas Ruas é declarado governador eleito do Rio, e resultado amplia o peso do bolsonarismo no cenário nacional
ELEIÇÕES 2026 Em celebração evangélica, Flávio Bolsonaro pede proteção divina e fala em guerra espiritual
UNIÃO PROGRESSISTA Ciro Nogueira projeta mais de 30% dos votos para Flávio Bolsonaro no Piauí
BRASIL SEM LULA? Flávio Bolsonaro declara que “é o fim da era Lula” em ato de campanha no Rio
SUSPEITA CORRUPÇÃO Caso Vorcaro: governo precisa explicar as denúncias, não apenas desqualificar quem as apresenta
FLÁVIO NA FRENTE Ipespe: Flávio Bolsonaro chega a 52,7% dos votos válidos e abre vantagem sobre Lula no segundo turno Mín. 25° Máx. 40°