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Política CONVENIÊNCIA

Bárbara do Firmino e o dilema político: herdeira de Firmino Filho à beira do PT

A possível filiação da deputada ao Partido dos Trabalhadores acende um debate sobre coerência, legado e conveniência política. Bárbara honra a memória do pai ou enterra de vez o capital político herdado de Firmino Filho?

13/11/2025 às 08h03
Por: Douglas Ferreira
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Deputado Bárbara Soares entre a convicção e a conveniência política - Foto: Reprodução
Deputado Bárbara Soares entre a convicção e a conveniência política - Foto: Reprodução

A cena política piauiense vive um daqueles momentos que misturam ironia, estratégia e contradição. Bárbara Soares, a Bárbara do Firmino, deputada estadual e filha do ex-prefeito Firmino Filho, está prestes a dar um passo que simboliza mais que uma simples mudança partidária: pode ser a ruptura definitiva com o legado político de seu pai — um dos maiores opositores do Partido dos Trabalhadores (PT) no Piauí.

Sim, a filha de Firmino está com um pé dentro do PT. Mas, como na metáfora do equilíbrio precário, se quiser se manter de pé, precisará colocar o outro — e com firmeza — no terreno ideológico que seu pai combateu por toda a vida. E isso, convenhamos, tem um custo político alto.

Firmino Filho construiu sua trajetória sob pilares opostos ao lulopetismo: gestão técnica, austeridade fiscal e antipopulismo. Bárbara, ao contrário, parece disposta a trocar a bússola ideológica herdada por um novo mapa político — mais conveniente ao cenário atual, mais alinhado ao poder de turno.

A deputada foi eleita montada no espólio político do pai e no apoio do grupo de Ciro Nogueira (Progressistas). Mas logo rompeu com essa base, abraçando o projeto de Fábio Novo (PT) em Teresina e, agora, flertando abertamente com o partido de Lula e Rafael Fonteles.

O PT, por sua vez, faz o que sabe fazer melhor: abrir os braços para quem pode render dividendos eleitorais. O vereador Dudu Borges já deixou claro: “Bárbara será muito bem-vinda no PT”. Para ele, a entrada da deputada oxigenaria o partido e fortaleceria o projeto de reeleição de Lula e Rafael.

Mas a questão é: oxigenar o PT ou asfixiar o próprio legado?

A adesão de Bárbara soa, para muitos, como traição simbólica a tudo que Firmino representou. E a pergunta é inevitável:
Por convicção ou conveniência política?

Se for por convicção, é uma guinada ideológica legítima — mas corajosa o suficiente para enfrentar o olhar crítico do eleitorado fiel ao pai?
Se for por conveniência, é apenas mais um capítulo da velha política que Firmino combatia: a de quem muda de bandeira conforme o vento do poder sopra.

O eleitor de Firmino Filho — aquele que o via como exemplo de integridade e coerência — aceitará essa aproximação com o PT?
Difícil prever. Mas é certo que essa decisão definirá o futuro político de Bárbara Soares.

Assinar a ficha petista pode dar-lhe fôlego político, acesso a estrutura, cargos e palanque. Mas também pode sufocá-la sob o peso da incoerência — transformando-a de herdeira política em apenas mais uma aliada circunstancial do governo.

No fim, o gesto de Bárbara é simbólico: não se trata apenas de uma mudança de partido, mas de uma ruptura entre passado e presente, entre legado e ambição, entre o que Firmino foi e o que Bárbara escolheu ser.

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