
Durante décadas, a televisão brasileira foi o principal palco da informação e da emoção nacional. O “Jornal Nacional”, símbolo máximo desse poder, ditava o ritmo das noites do país. Mas os tempos mudaram. A despedida de William Bonner, uma das vozes mais marcantes do noticiário brasileiro, passou quase despercebida pela audiência. Os números do Ibope mostram que o público mal reagiu: as últimas edições com Bonner marcaram média de 24,6 pontos, enquanto os primeiros dias com César Tralli registraram 23,4, uma diferença mínima.
O fato revela algo maior: o desinteresse crescente das pessoas pela TV aberta. Houve um tempo em que a saída de um apresentador desse porte causaria comoção. Hoje, a maioria apenas passa os olhos nas redes sociais, onde o noticiário chega fragmentado e instantâneo. O vínculo afetivo que o público mantinha com apresentadores e programas se dissipou, dando lugar a uma relação rápida e superficial, reflexo de uma era em que o celular e o streaming substituíram a sala de estar.
Mesmo com a estabilidade dos índices, o “JN” vem perdendo fôlego há anos. Desde a pandemia, a audiência caiu de 29,8 para cerca de 22 pontos, mais de um milhão de telespectadores a menos só na Grande São Paulo. A Globo soube planejar a transição e evitou o trauma, mas o cenário mostra um Brasil que não para mais para assistir TV. A notícia continua viva, mas o público, definitivamente, mudou de canal.
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