Eis a capa da influente e conceituada revista Crusoé. A semana foi de verdadeira expectativa quanto à convocação de Neymar Júnior. E, por incrível que pareça, alguns torciam contra sua convocação apenas e tão somente pela sua preferência eleitoral. O Brasil debate apaixonadamente, desde terça-feira, 19, se Carlo Ancelotti acertou ao convocar Neymar Jr. para a Copa do Mundo deste ano, com uma notável omissão: Lula, provavelmente o presidente mais boleiro da história deste país, não deu seu pitaco — e ele dá pitaco sobre tudo. Eis o que diz a revista Crusoé em sua capa da semana. Já pensou uma coisa dessas? O Brasil ainda é mesmo o país do futebol? Quem ainda liga de fato para a convocação da seleção brasileira ou para seus “sofríveis jogos”?
Em meio à entusiasmada celebração bolsonarista pela convocação do atacante do Santos, notório eleitor e apoiador de Jair Bolsonaro, o petista se limitou a publicar em suas redes sociais nesta semana um post para desejar: “Toda a sorte para a Seleção!”, numa mensagem obscurecida por uma série de propagandas dos programas sociais e promessas eleitoreiras de seu governo. Há um claro desconforto dos governistas em relação à seleção brasileira, que não é de hoje, mas que, na Copa do Mundo deste ano, ganha ares de ineditismo pela dinâmica entre lulistas e bolsonaristas.
Eis a capa da revista Crusoé: O voto de chuteiras – seleção brasileira parte para a Copa do Mundo distante do governo e perto da oposição. O deputado federal governista André Janones (Avante-MG) deixou claro o desconforto, xingando Neymar de “vagabundo” e “sem-vergonha”, mas afirmando que vai torcer e vibrar “por cada gol”, porque quer “que ele arrebente e que ele traga o hexa” (sic).
A ciência política se acostumou a levar em conta o desempenho da seleção brasileira como influência para o humor do eleitor, já que o torneio de seleções ocorre no mesmo ano das eleições majoritárias no país. Mas talvez o escrete nacional nunca tenha partido para a Copa tão distante do governo — e próximo da oposição que tenta vencê-lo nas urnas, diz Rodolfo Borges em “O voto de chuteiras”, a reportagem de capa de Crusoé.
Na matéria “As contradições de Flávio”, Wilson Lima fala sobre a dificuldade do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de convencer até o próprio partido sobre suas relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. Na reportagem “A luta pela sobrevivência dos nanicos”, Wal Lima conta como os partidos nanicos transformaram a eleição presidencial de 2026 numa disputa pela própria sobrevivência. Sem musculatura política própria, siglas passaram a buscar nomes conhecidos fora da política. Em “O plano do Centrão”, Guilherme Resck revela que a federação União Progressista, formada por dois dos principais partidos do Centrão, o União Brasil e o Progressistas, deve ficar neutra em relação à disputa presidencial e focar no Congresso.
O voto de chuteiras? Quer dizer que agora vocês viraram especialistas em analisar capas de revistas semanais? O contexto é totalmente diferente. O interesse maior é avaliar o que se anda publicando e o que condiz com a realidade. Afinal, o que são os meios de comunicação social? Não são para ser o retrato da realidade? Só que, muitas vezes, alguns veículos, no passado e sobretudo no presente, embutem concepções ideológicas no “corpo da matéria”. E qual a percepção de tudo isso? Tentarem influenciar o leitor muitas vezes desatento, que simplesmente lê o título da matéria e não o conteúdo completo? Muito mais que isso: alguns “embutem o dedo governamental” ao publicarem determinadas informações? Leitor atento não cai nessa? Nossos leitores estão sempre atentos!