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Política DIREITA BRASILEIRA

“Congresso de joelhos”: Michelle Bolsonaro desafia o STF e reacende o debate sobre poder e democracia no Brasil

Em discurso em Londrina, a ex-primeira-dama afirmou que o Congresso está submisso ao Supremo Tribunal Federal e defendeu que Jair Bolsonaro é o único nome capaz de unir a direita e disputar a Presidência em 2026, reacendendo tensões entre Judiciário e Legislativo

09/11/2025 às 05h41 Atualizada em 09/11/2025 às 09h44
Por: Douglas Ferreira
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Michelle Bolsonaro - Foto: Reprodução
Michelle Bolsonaro - Foto: Reprodução

O discurso de Michelle Bolsonaro em Londrina, ao afirmar que o “Congresso está de joelhos para o STF”, é carregado de simbolismo político e traduz uma percepção de impotência do Legislativo diante do avanço do poder Judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal. Vamos destrinchar o que ela quis dizer, o contexto real dessa afirmação e as implicações políticas de seu discurso.


“Congresso de joelhos”: o que Michelle quis dizer

Quando Michelle Bolsonaro diz que o Congresso está de joelhos diante do STF, ela sugere que deputados e senadores deixaram de exercer sua função constitucional de fiscalizar, conter e equilibrar os poderes, permitindo que o Supremo Tribunal Federal assuma um protagonismo político e jurídico excessivo.

Na prática, esse tipo de crítica parte da ideia de que o STF tem interferido em temas que seriam prerrogativas do Legislativo ou do Executivo, como:

  • A cassação de mandatos de parlamentares (casos como Deltan Dallagnol e Daniel Silveira);

  • A anulação de leis aprovadas pelo Congresso sob o argumento de inconstitucionalidade;

  • A condução de inquéritos de forma monocrática (por ministros específicos, como Alexandre de Moraes), sem passar por outras instâncias.

Ao dizer que “só quem governa é o Judiciário”, Michelle reforça a tese de que o STF estaria legislando e governando, invadindo competências dos outros poderes — algo que parte expressiva da direita brasileira considera um “golpe branco”.


O Congresso está mesmo refém do Supremo?

Do ponto de vista técnico, o Congresso tem instrumentos constitucionais para fiscalizar e até punir ministros do STF, como:

  • A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar abusos;

  • O impeachment de ministros do STF, previsto na Constituição (art. 52, II);

  • A PECs que podem alterar o funcionamento e as competências do Judiciário.

No entanto, na prática, nenhum desses instrumentos tem avançado. Por quê?

  1. Medo político e corporativismo: muitos parlamentares evitam confronto direto com o STF para não se tornarem alvos de investigações ou processos judiciais.

  2. Dependência jurídica: deputados e senadores frequentemente recorrem ao STF para resolver impasses políticos — o que cria uma relação de dependência.

  3. Falta de unidade: o Congresso é fragmentado; não há consenso entre partidos, nem mesmo dentro da base bolsonarista, sobre como enfrentar o Supremo.

Portanto, quando Michelle diz que o Congresso está “de joelhos”, ela expressa um sentimento de impotência institucional: o Parlamento, que deveria representar a voz do povo e o equilíbrio entre os poderes, estaria submisso à força política e judicial do Supremo.


Por que ela reafirma que Bolsonaro é o único nome da direita?

Ao declarar que “só há um nome da direita para 2026: Jair Messias Bolsonaro”, Michelle faz mais do que defender o marido — ela busca:

  • Unificar a direita em torno de uma liderança incontestável;

  • Manter o bolsonarismo vivo, mesmo diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro;

  • Evitar fragmentação interna, que poderia beneficiar a esquerda nas próximas eleições.

Michelle sabe que há hoje vários nomes tentando ocupar o espaço da direita — como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Jr. e até Michelle Bolsonaro ela própria — e sua fala tenta desestimular disputas internas.

Ela quer mostrar que o “mito” ainda é o centro de gravidade da direita — e que qualquer projeto alternativo precisaria passar pelo aval de Bolsonaro.


Ela está certa ao dizer que só Bolsonaro une a direita?

Em termos emocionais e simbólicos, sim — Bolsonaro ainda é o maior catalisador da direita popular e conservadora brasileira.

Nenhum outro político, até agora, conseguiu reproduzir:

  • Sua capacidade de mobilização de massas;

  • Seu apelo junto às bases evangélicas e militares;

  • Seu discurso antissistema e anti-PT.

Mas em termos práticos e eleitorais, há uma barreira intransponível: Bolsonaro está inelegível até 2030, por decisão do TSE.

Isso faz com que, mesmo sendo o “nome de referência”, ele não possa ser candidato em 2026 — o que obriga a direita a escolher entre:

  • Uma candidatura por procuração (Michelle Bolsonaro, por exemplo);

  • Ou um nome político mais técnico, como Tarcísio de Freitas.


Há possibilidade real de Michelle concorrer?

Sim, há.
Michelle Bolsonaro é hoje o principal nome feminino da direita, com popularidade crescente e carisma entre o público evangélico e conservador. Ela preside o PL Mulher e já é vista por aliados como o “plano B” de Bolsonaro para 2026.

Sua candidatura, porém, enfrentaria desafios:

  • Falta de experiência administrativa ou política direta;

  • Resistência de parte da elite política conservadora, que a vê como uma liderança mais simbólica que prática;

  • E, claro, a pressão judicial sobre o bolsonarismo — que tende a aumentar nos próximos anos.

Mas, se houver impedimento de outros nomes e Bolsonaro mantiver alta influência, Michelle pode sim emergir como a candidata da direita — sustentada pelo carisma do marido e pelo discurso de fé, família e liberdade.


Conclusão: o recado político por trás do discurso

O pronunciamento de Michelle em Londrina não foi apenas um desabafo:
foi um ato político estratégico.

Ela buscou:

  1. Reforçar a narrativa de perseguição contra Bolsonaro, associando os problemas de saúde do ex-presidente ao “ambiente hostil” criado pelo Judiciário;

  2. Apontar o STF como inimigo comum, algo que unifica as bases da direita;

  3. Marcar território dentro do PL, lembrando que, mesmo sem cargo, os Bolsonaro ainda comandam a direita brasileira.

Em resumo:
Michelle fala como quem mantém viva a chama de um movimento político.
E ao dizer que o Congresso está de joelhos e só Bolsonaro pode liderar, ela deixa claro que, para o bolsonarismo, o problema do Brasil não é de governo, mas de poder — e de quem realmente o exerce.

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