
A oposição precisa entender — e o Brasil também — que ao montar a CPMI do Rombo no INSS, o Congresso não abriu uma simples investigação sobre um grupo de estelionatários que enganavam aposentados. O que está vindo à tona é uma organização criminosa com tentáculos políticos, empresariais e sindicais, infiltrada nas estruturas do Estado e disposta a tudo para manter-se impune e poderosa.
Na sessão desta quinta-feira (6), o deputado Duarte Jr. (PSB/MA), vice-presidente da CPMI, chocou o plenário ao revelar que foi ameaçado por um colega de partido, o deputado estadual Edson Araújo (PSB/MA), que também é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA) — entidade investigada por desviar mais de R$ 123 milhões de aposentados e pensionistas.
Segundo Duarte, as ameaças começaram logo após ele questionar, em sessão anterior, por que R$ 3,5 milhões haviam sido depositados na conta pessoal de Edson Araújo, além de R$ 1,5 milhão repassado a assessores do parlamentar. “Lugar de ladrão de aposentado é na cadeia”, rebateu Duarte, ao relatar as mensagens enviadas por WhatsApp. O tom da conversa, entretanto, subiu rapidamente: Edson o chamou de “palhaço irresponsável” e disparou — “Nós ainda vamos nos encontrar... você vai se arrepender”.
Com voz firme, o deputado maranhense leu as mensagens durante a sessão e relatou ter registrado ocorrência na Polícia Legislativa Federal, além de pedir proteção para si e sua família. “Pedi segurança à minha família, pois o crime de ameaça ficou configurado por três vezes”, declarou Duarte, visivelmente indignado. Ele também anunciou ter solicitado a convocação de Edson Araújo à CPMI, a quebra de seu sigilo bancário e até mesmo a expulsão dele do PSB.
O caso revela o nível de tensão que a CPMI atingiu. O que começou como uma apuração sobre fraudes no crédito consignado e desvio de recursos do INSS se transformou em uma bomba política: uma teia de interesses escusos, corrupção sindical, empresários cúmplices e políticos alinhados ao governo, todos atuando para sugar os recursos de milhões de aposentados.
“Mais do que prisões, essa CPMI pode resultar em sangue”, observam bastidores em Brasília. O tom é de alerta. Afinal, quando um deputado precisa pedir escolta por investigar crimes contra aposentados, o Brasil precisa se perguntar: quem tem medo da verdade?
Enquanto o governo mantém o silêncio e aliados tentam abafar o caso, a CPMI segue expondo as entranhas de um sistema podre. Duarte Jr., agora sob proteção policial, é a prova viva de que no país dos privilégios, investigar poderosos ainda é um ato de coragem.
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