
A propaganda governamental, em sua essência, deveria ser uma ferramenta de utilidade pública, transparência e prestação de contas. O cidadão precisa ser informado sobre o que o governo faz — ou, no mínimo, sobre o que ele promete fazer. Mas, quando o governo não tem o que mostrar, não tem resultado para exibir, e ainda tem escândalos para esconder, a coisa muda de figura. Aí o que sobra é o velho e bom disfarce: mentir com categoria.
É aí que entra o marketing, essa arte de transformar o nada em espetáculo. A Secretaria de Comunicação da Presidência, comandada pelo gênio criativo Sidônio Palmeira, resolveu trocar o papel institucional por um show de ilusionismo. Com um orçamento bilionário, a pasta conseguiu um feito digno de nota: gastar muito e comunicar pouco. Ou melhor, comunicar mal.
Sim, o governo Lula 3 vai entrar para a história como o que menos entrega resultados e o que mais fracassa até em tentar convencer o povo de que está tudo bem. O problema não é só a falta de obras, é a falta de narrativa coerente. A cada discurso improvisado, Lula se enrosca em contradições — e o marketing corre atrás para “limpar a barra” do chefe.
A coisa piorou depois da declaração bizarra de que “os traficantes são vítimas dos usuários”. Desde então, o Planalto virou um bunker de danos. O “tracking” interno — aquelas pesquisas diárias que ninguém vê — apontou um desgaste brutal na imagem presidencial. E qual foi a resposta da Secom? Torrar dinheiro público em campanhas para reescrever a realidade.
O plano agora é vender o que Lula não fez. Propaganda de promessas, não de entregas. A PEC da Segurança, por exemplo, virou o novo bordão, como se o simples anúncio resolvesse a insegurança no país. O roteiro é conhecido: enquanto o povo sofre, o governo grava vídeo institucional com música otimista e gente sorrindo de orelha a orelha.
Enquanto isso, o presidente finge que nada aconteceu. A ordem é clara: “não entra mosca”. Lula deve se esconder atrás da COP30, o novo mantra verde que tenta disfarçar o caos da segurança pública e o fiasco da economia. É a típica tática de comunicação de governo em crise — fala do clima, mas esquenta a própria cadeira.
E não para por aí. O Itamaraty, que já não sabe mais se é ministério ou assessoria de imprensa, foi convocado às pressas para tentar fabricar manchetes positivas. Tudo para ofuscar o sucesso da megaoperação contra o narcotráfico, aquela mesma que Lula preferiu ignorar por pura implicância ideológica.
No fim, o que se vê é uma fábrica de espuma. Nada de conteúdo, nada de substância — só marketing. O governo tenta apagar incêndios com posts no Instagram, enquanto o país arde em inflação, violência e descrédito. A Secom virou agência de publicidade, e o contribuinte, cliente enganado.
O encontro com Trump — que seria o grande trunfo internacional de Lula — foi engolido por manchetes mais relevantes: as que elogiaram as forças de segurança que o presidente se recusou a apoiar. Ironias do destino: o governo que queria controlar a narrativa perdeu o controle da própria história.
E assim, o governo Lula 3 vai colecionando recordes: o mais confuso, o mais contraditório e, de quebra, o pior em comunicação. Sidônio Palmeira bem que tenta maquiar a realidade, mas, como se diz no marketing, “não há campanha que salve um produto ruim”. E o produto, convenhamos, está com a marca de desgaste “nunca antes vista na história desse país”.
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FICOU VISÍVEL? Estratégia é mentir?
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