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Política PARTICIPAÇÃO SOCIAL

Diálogos pelo Piauí: entre promessas e a realidade

Encerrada a 12ª edição, programa do governo estadual se destaca pelo discurso de participação social, mas a prática ainda deixa a população esperando resultados concretos

01/11/2025 às 19h26 Atualizada em 01/11/2025 às 19h41
Por: Douglas Ferreira
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Governador Rafael Fonteles encerra o Diálogos pelo Piauí - Foto: Reprodução
Governador Rafael Fonteles encerra o Diálogos pelo Piauí - Foto: Reprodução

“Diálogos pelo Piauí”: a turnê da escuta seletiva chega ao fim no Centro de Convenções de Teresina

Encerrando a 12ª edição do Diálogos pelo Piauí, o governo estadual transformou o Centro de Convenções de Teresina num palco digno de uma grande final — com direito a discursos, aplausos e aquela velha sensação de que, enfim, “o povo foi ouvido”. Pelo menos foi o que garantiram os microfones oficiais. O evento reuniu representantes do Território Entre Rios, o mais populoso e economicamente relevante do Estado, e, segundo o script, consolidou o “modelo de escuta ativa e transparência” do governo. Um espetáculo de democracia participativa — com ingresso gratuito e resultado previsível.

O governador Rafael Fonteles, em tom professoral, reforçou que agora enxerga o Piauí sob “a ótica dos 12 territórios de desenvolvimento”. A fala foi acompanhada de números, nomes de municípios e promessas cuidadosamente ensaiadas, tudo para dar aquele ar técnico de quem tem o mapa do progresso em mãos.

“Não tenho dúvida que ele vai completar bem os anseios da sociedade”, declarou, como se bastasse uma frase de efeito para transformar o PPA 2024–2027 em um divisor de águas.

Já o secretário de Planejamento, Washington Bonfim, destacou o “ineditismo” da mobilização. Segundo ele, o governo percorreu o Estado inteiro ouvindo a sociedade civil e as prefeituras. Um feito digno de nota — afinal, não é todo dia que o poder público se lembra que o Piauí vai além do anel viário de Teresina. O curioso é que, após tanta escuta, o cidadão comum ainda segue esperando o básico: saúde que funcione, estradas trafegáveis e escolas com estrutura decente. Talvez estejam reservando essas respostas para a segunda temporada.

A secretária das Relações Sociais, Núbia Lopes, celebrou o encerramento como se fosse o capítulo final de uma novela de sucesso. Falou em alegria, em “participação social efetiva” e em “desenvolvimento territorial”. Palavras bonitas, dignas de um manual de gestão pública, mas que soam distantes da realidade de quem vive nos territórios onde o diálogo ainda é um monólogo.

No fim, o Diálogos pelo Piauí encerra sua maratona com aplausos, fotos oficiais e muitas promessas recicladas. O discurso é o mesmo de sempre: ouvir, planejar e transformar. Mas o eco da população continua baixo — abafado por discursos longos e soluções tardias.

Se o governo realmente ouviu o povo ou apenas ouviu a própria voz amplificada pelos alto-falantes, o tempo dirá. Até lá, seguimos com a sensação de que o diálogo continua sendo uma via de mão única — e o Piauí, como sempre, ainda espera sua vez de falar. 

E enquanto se aplaudem os relatórios e planilhas, a população segue perguntando: quantas dessas promessas realmente serão traduzidas em ruas asfaltadas, postos de saúde que funcionem e escolas dignas? Ou será que tudo isso vai permanecer apenas no PowerPoint da próxima coletiva de imprensa? A retórica de planejamento participativo encanta, mas a prática ainda deixa muito a desejar.

Curioso também notar que, apesar de toda a “escuta ativa”, algumas questões estruturais nunca parecem ser prioridades. A burocracia segue intacta, os projetos emperram no papel e a sensação de que o governo quer mais uma foto do que uma transformação real persiste. É um verdadeiro festival de boas intenções com pequenas doses de ação concreta.

Por fim, o Diálogos pelo Piauí deixa um recado claro: a comunicação oficial do governo é impecável, mas a execução ainda caminha em passos de tartaruga. O palco do Centro de Convenções foi o cenário de um grande show de oratória, mas a vida real nos territórios ainda aguarda sua vez de ser ouvida — e, quem sabe, atendida. A expectativa é que, no próximo ciclo, as palavras finalmente se transformem em resultados palpáveis.

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