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Política LIGAÇÕES PERIGOSAS

Depoimentos reafirmam papel de aliado de Boulos em empresa de ônibus ligada ao PCC

Recentes revelações e investigações têm levantado suspeitas graves sobre um de seus principais aliados: o vereador Senival Moura, do PT

05/09/2024 às 07h00
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Metrópoles
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Boulos e Senival em campanha - Foto: Reprodução
Boulos e Senival em campanha - Foto: Reprodução

 

A frase "Diga-me com quem andas e te direi quem és" retorna ao palco político, mas agora em uma virada que atinge diretamente o discurso de moralidade defendido por Guilherme Boulos. Recentes revelações e investigações têm levantado suspeitas graves sobre um de seus principais aliados: o vereador Senival Moura, do PT. Acusado de ter vínculos perigosos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção mais temida do Brasil, Senival é envolvido em uma trama que mistura negócios escusos, transporte público, assassinatos e dinheiro do crime organizado. Como Boulos, que se posiciona como um bastião contra a corrupção, vai lidar com essa bomba ao lado de sua campanha?

As investigações em curso revelam que Senival Moura, além de supostamente comandar nos bastidores a empresa de ônibus Transunião, é suspeito de ter financiado sua carreira política com apoio do PCC. Depoimentos indicam que ele mantinha um braço direito na direção da empresa, Adauto Soares Jorge, que foi brutalmente assassinado em 2020, possivelmente devido a divergências internas com a facção criminosa. A relação de Senival com o crime organizado seria de longa data, com indícios de que ele recebia uma "mesada" de R$ 70 mil do PCC, além de ter facilitado negócios para o grupo dentro da empresa de transporte público.

Em público, Boulos tem mantido uma postura firme contra o crime organizado. Ele frequentemente denuncia a infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo, mirando especialmente no prefeito Ricardo Nunes. No entanto, questionado sobre as suspeitas que rondam seu aliado, Boulos se esquiva, declarando desconhecimento das investigações e afirmando que Senival não possui função oficial na campanha. Mas será que isso basta para afastar o desconforto gerado pelas denúncias?

A postura de Boulos é ambígua. Ele promete "passar a limpo" os contratos de ônibus da cidade e combater a lavagem de dinheiro através dessas empresas, enquanto um de seus principais apoiadores é alvo de acusações justamente por utilizar uma dessas empresas para facilitar o enriquecimento do crime organizado. As investigações sugerem que Senival não apenas atuava nos bastidores, mas tinha influência direta na gestão da Transunião, utilizando "laranjas" para manter seu controle disfarçado. Trocas de e-mails e diálogos entre membros do PCC apontam que o vereador era conhecido entre os criminosos como "velho" ou "vereador", sendo uma figura-chave nas negociações financeiras da empresa.

A pergunta que surge é: como Boulos pode se distanciar desse cenário sem que sua campanha seja manchada pela sombra do crime organizado? Embora ele tenha tentado minimizar o impacto de Senival em sua corrida eleitoral, o fato é que o vereador petista é uma figura presente em suas atividades de campanha, especialmente na zona leste de São Paulo, onde ambos buscam consolidar votos.

Enquanto isso, o silêncio de Senival Moura sobre as acusações apenas aprofunda o mistério. As denúncias são graves e sugerem uma teia de relações perigosas que, se comprovadas, podem comprometer não só a carreira de um veterano da política paulistana, mas também a imagem de um candidato que promete renovar a gestão da maior cidade do Brasil. Boulos seguirá ao lado de Senival, defendendo o vereador de longa data? Ou reconhecerá que as companhias que mantém podem definir quem ele realmente é?

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