
Desde que assumiu o governo, Rafael Fonteles parece ter adotado o mundo como extensão do Palácio de Karnak. Em menos de dois anos de mandato, o governador do Piauí já embarcou 25 vezes para o exterior, visitando países da Europa, Ásia, América e Oriente Médio. Segundo dados divulgados em agosto de 2025, as viagens custaram mais de R$ 11 milhões aos cofres públicos.
Oficialmente, as missões têm o propósito de atrair investimentos, buscar parcerias tecnológicas e promover o estado em feiras internacionais. No papel, tudo parece legítimo. Mas nas conversas de bastidores e nas redes sociais a pergunta que não quer calar é outra:
essas viagens estão trazendo retorno concreto para o Piauí ou servem apenas como vitrine política e turismo de luxo?
Em algumas missões, o governador viajou acompanhado de grandes comitivas, formadas por secretários, assessores e empresários. As agendas divulgadas incluem encontros com representantes de multinacionais, visitas a polos de energia limpa e reuniões em universidades estrangeiras. Contudo, até o momento, poucos contratos e investimentos efetivos foram anunciados.
Enquanto o governo defende que “as negociações levam tempo” e que os frutos “serão colhidos em breve”, cresce a desconfiança de que parte dessas viagens possa ter mais valor simbólico do que prático.
A oposição questiona a transparência: quantos empregos foram gerados a partir dessas missões? Quantas empresas decidiram se instalar no Piauí após as viagens? E, principalmente, vale a pena investir milhões em passagens e diárias sem resultados claros?
Por outro lado, aliados afirmam que o governador está colocando o Piauí no mapa do desenvolvimento global, abrindo portas em setores estratégicos como tecnologia, energia e sustentabilidade.
Mas o mistério permanece:
o Piauí está realmente se internacionalizando ou apenas financiando uma longa sequência de viagens sem destino certo?
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