
A impopularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um fato incontornável. Seja qual for o instituto de pesquisa, os números mostram um quadro de desaprovação majoritária. A mais recente pesquisa da Apex/Futura revela que 53,8% dos entrevistados desaprovam o governo, enquanto apenas 40,7% ainda o apoiam. Os números, frios e duros, escancaram a crise de confiança que o atual governo enfrenta — uma realidade que contrasta fortemente com os tempos de glória dos dois primeiros mandatos do petista.
Naquele passado distante, Lula era o “pai dos pobres”, símbolo de ascensão social e esperança popular. Hoje, a narrativa se desfez. Mesmo com a troca no comando da Secretaria de Comunicação Social, substituindo um político por um técnico, Sidônio Palmeira, os resultados não vieram. Pior: o governo parece gastar mais em publicidade, mas comunica menos. A estratégia é confusa, os slogans não ecoam e a imagem de um governo eficiente e trabalhador não cola.
A verdade é que o cidadão comum — aquele que Lula prometeu resgatar com a “picanha e a cervejinha” — sente no bolso a distância entre o discurso e a realidade. O mercado está caro, o salário não rende, e o sonho de andar de avião se transformou em fila de supermercado. A frustração é o sentimento predominante. A comunicação governamental tenta pintar um país que não existe no cotidiano das famílias brasileiras.
A pesquisa da Futura/Apex, realizada entre 16 e 21 de outubro com 2.000 entrevistados e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, confirma a tendência: a desaprovação subiu 1% em relação ao mês anterior, enquanto a aprovação caiu. Isso demonstra que, mesmo com esforços publicitários e aparições públicas, o governo não consegue reverter a percepção de que “entrega pouco e promete demais”.
O cenário econômico é o grande vilão dessa equação. Mais da metade dos entrevistados acredita que a economia está pior do que há quatro anos. Além disso, há uma percepção generalizada de que a corrupção voltou a crescer, reacendendo feridas que o país ainda não cicatrizou desde os tempos da Lava Jato. Essa combinação de desconfiança e desalento explica o tom pessimista da sociedade em relação ao atual governo.
No campo político, a polarização continua sendo combustível para a insatisfação. Com a eleição de 2026 já no horizonte, Lula enfrenta o desafio de reconstruir sua base social enquanto rivais como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro ganham força em diferentes cenários eleitorais. O eleitor, desiludido, começa a olhar para outras direções.
O fracasso da comunicação governamental não é apenas técnico, mas simbólico. Falta verdade, falta coerência e, principalmente, falta empatia. O povo percebe quando a propaganda tenta mascarar a realidade. E é justamente essa desconexão entre o discurso oficial e o cotidiano popular que está corroendo a imagem de Lula.
Em seus melhores anos, o presidente dominava a narrativa política como poucos. Hoje, parece refém dela. Enquanto o governo insiste em vender uma história de sucesso, o povo insiste em viver a realidade da escassez. O resultado é previsível: queda na popularidade e um crescente sentimento de decepção.
Mais do que uma crise de imagem, o que Lula enfrenta é uma crise de credibilidade. O Brasil já não acredita em promessas, quer resultados. E enquanto o governo não entender isso, nenhuma verba de publicidade — por maior que seja — conseguirá reverter a percepção de que o “governo da esperança” se transformou no “governo da frustração”.
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