
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou nesta terça-feira (21/10) a nomeação de Guilherme Boulos (PSol-SP) para a Secretaria-Geral da Presidência da República, cargo com status de ministério. A troca ocorre após a saída de Márcio Macêdo (PT-SE) e foi antecedida de meses de especulações sobre os nomes para substituir o ministro.
A decisão provoca reação imediata dentro e fora do governo. Para a oposição, a escolha é quase inconsequente: como alguém cuja trajetória pública ficou marcada por liderar ocupações e invasões de propriedades privadas pode assumir uma pasta ministerial? Questiona-se ainda a qualificação de Boulos para um cargo tão estratégico.
A Secretaria-Geral é responsável pela articulação do governo com organizações da sociedade civil e movimentos sociais, função central para aproximar o Planalto de setores que podem fortalecer a base eleitoral do presidente rumo a 2026. É, portanto, um cargo político de peso, não apenas simbólico.
Boulos é conhecido por seu trabalho no Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e por sua experiência na militância social e política. Ele terá como desafio fortalecer a parceria do governo com movimentos em âmbito nacional, além de ampliar a interlocução com jovens e pautas emergentes dessa geração.
Segundo auxiliares, a primeira reunião de Lula com o novo ministro durou cerca de duas horas, na qual foram traçadas estratégias de engajamento com a juventude e fortalecimento da presença digital do governo. Algumas mudanças nas redes sociais já foram implementadas, mas ainda há ajustes em curso.
Para integrar a equipe ministerial, Boulos abriu mão de disputar as eleições de 2026. Caso tivesse optado por concorrer, teria que deixar o cargo até abril do próximo ano. A medida evidencia que a entrada dele no Executivo é estratégica para pavimentar o caminho da reeleição de Lula.
Boulos não é novato em campanhas e mobilizações. Em 2018, concorreu à Presidência da República, recebendo 617 mil votos e ficando em 10º lugar. Em 2020, disputou a Prefeitura de São Paulo e chegou ao segundo turno, sendo derrotado pela chapa Bruno Covas (PSDB) e Ricardo Nunes (MDB).
Eleito deputado federal em 2022, Boulos foi o mais votado em São Paulo, com mais de 1 milhão de votos. Sua força de mobilização e experiência política são vistas como ativos importantes para o governo em um momento de queda de popularidade.
O lugar de Boulos na Câmara dos Deputados poderá ser ocupado pelo cientista Ricardo Galvão, presidente do CNPq, que foi eleito suplente pela coligação PSol/Rede. Galvão, reconhecido internacionalmente, ainda não confirmou se deixará a presidência do CNPq para assumir a vaga.
A nomeação de Boulos mostra o caráter político da Secretaria-Geral: não se trata apenas de administrar articulações com movimentos sociais, mas de fortalecer alianças estratégicas e garantir bases eleitorais para o Planalto. Para críticos, porém, a decisão levanta dúvidas sobre critérios de qualificação e sobre a priorização de militância sobre experiência administrativa concreta.
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