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Política MARIA CORINA MACHADO

O silêncio que grita, berra e esperneia

A indiferença de Lula diante do Nobel da Paz de Maria Corina Machado revela o desconforto do presidente com a verdadeira face da democracia

17/10/2025 às 06h48
Por: Douglas Ferreira
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O ditador Maduro amigo de Lula - Foto: Reprodução
O ditador Maduro amigo de Lula - Foto: Reprodução

O silêncio de Lula diante da consagração mundial de Maria Corina Machado é ensurdecedor. Não se trata apenas de uma ausência diplomática — é um grito abafado, um incômodo profundo, quase pessoal. Enquanto o mundo celebra uma mulher símbolo da resistência contra o autoritarismo e a tirania, o presidente brasileiro prefere calar. E, nesse silêncio, fala muito mais do que gostaria.

A indiferença de Lula é um espelho de suas próprias contradições. Por que o presidente não reconhece a importância do prêmio concedido pela Fundação Nobel? Seria ciúmes, inveja ou simples despeito? Talvez um misto de tudo isso. Maria Corina Machado representa o que Lula sempre quis ser e nunca foi: uma referência ética e moral, admirada mundialmente por lutar contra a opressão — sem precisar corromper princípios ou vender ilusões.

O Nobel da Paz concedido a Machado, por sua luta contra a ditadura de Nicolás Maduro, é um tapa na cara do bolivarianismo latino-americano. E Lula sabe disso. Ao se calar, ele tenta evitar um confronto direto com a própria incoerência: apoiar ditadores em nome de uma ideologia ultrapassada. Reconhecer Maria Corina seria admitir que o socialismo chavista fracassou. Seria admitir que a liberdade venceu o autoritarismo.

Uma semana se passou desde o anúncio, e Lula continua fingindo que nada aconteceu. O mundo o observa, perplexo, enquanto líderes de todos os continentes felicitaram a venezuelana pela coragem. O silêncio do presidente brasileiro é constrangedor — e revela mais sobre seu caráter político do que qualquer discurso.

Em vez de exaltar o exemplo feminino de Machado, Lula prefere bajular o tirano Maduro, o mesmo que frauda eleições, persegue opositores e é acusado de vínculos com o narcotráfico. O contraste é brutal: de um lado, a mulher que desafia o medo; do outro, o homem que se curva ao poder alheio.

Não é a primeira vez que Lula ignora o Nobel da Paz. Em 2023, permaneceu calado diante da vitória de Narges Mohammadi, presa e torturada no Irã por defender os direitos das mulheres. Enquanto o mundo se unia em solidariedade, Lula escolheu o silêncio conveniente. Afinal, não poderia condenar um regime do qual é aliado ideológico.

A hipocrisia se repete: condena Israel, mas se cala diante do Irã; critica democracias, mas se aproxima de ditaduras. A coerência é a primeira vítima do pragmatismo petista. O “líder humanista” que se apresenta como pacificador ignora sistematicamente quem realmente luta pela paz.

Curiosamente, Lula já sonhou com o Prêmio Nobel da Paz. Em 2018, quando estava preso, um grupo de apoiadores encabeçado pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel iniciou uma campanha internacional para indicá-lo ao prêmio. Mais de 600 mil assinaturas foram recolhidas. O argumento: programas sociais como Fome Zero e Bolsa Família teriam combatido a pobreza e promovido “paz social”.

Mas o Nobel não é entregue a quem faz políticas públicas — é concedido a quem defende a liberdade humana. E é exatamente aí que Lula fracassa. O ex-presidente se vangloria de combater a fome, mas fecha os olhos para a fome de democracia de países oprimidos. Defende o pobre, mas apoia os que empobrecem nações inteiras sob regimes totalitários.

O Brasil nunca teve um ganhador individual do Nobel da Paz. Apenas soldados que integraram missões da ONU foram reconhecidos coletivamente em 1957. Mesmo assim, nomes brasileiros como Dom Hélder Câmara, Maria da Penha, Josué de Castro e Marechal Rondon já foram indicados — todos comprometidos com causas legítimas. Nenhum deles precisou bajular ditadores para aparecer no cenário mundial.

Lula, ao contrário, parece sentir que perdeu o trem da história. Ver Maria Corina Machado ser celebrada pela coragem que ele jamais demonstrou é um golpe na vaidade de quem se julga protagonista eterno. Seu silêncio não é neutro: é cúmplice. É o silêncio de quem teme a verdade.

O Nobel da Paz não reconheceu apenas uma mulher — revelou o fracasso moral de um líder. Enquanto Maria Corina Machado se arrisca pela liberdade de seu povo, Lula escolhe o lado do poder, do silêncio e da conveniência. E, assim, o presidente que um dia quis o Nobel termina ignorado pela história que ele mesmo despreza.

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