
Se tem uma coisa que o piauiense não esconde e se enche de orgulho, é de ser do Piauí. O sujeito pode falar mal de muita coisa, até da própria mãe, mas não toque na nossa terra. O piauiense carrega no peito o orgulho da história, da cultura e dos símbolos do Estado. Mas daí o governo do Estado interpretar isso ao pé da letra e justificar um gasto de R$ 13 milhões com bandeiras, é dar muita "bandeira" do gasto desenfreado É abusar da paciência do povo. É literalmente rasgar o suado dinheiro dos impostos dos piauienses. É cuspir na cara de quem paga tributo e luta todos os dias para sobreviver.
O orgulho do nosso povo não precisa de "bandeirolas" caras para ser afirmado. Nossa bandeira nos enche de orgulho, sim. Temos orgulho dos nossos símbolos, da nossa história. Mas R$ 13 milhões em bandeirolas espalhadas pelo Estado? Que gasto é esse, que nada agrega à vida real do cidadão?
O secretário de Comunicação, Marcelo Nolleto, tentou se justificar:
“É que nos EUA a bandeira está em todo lugar. Na rua, nas praças, nos prédios, nas asas”.
Sim, senhor secretário. Lá se tem orgulho da bandeira americana, tanto que ninguém ousa queimá-la ou pisá-la. Aqui – bem ao contrário – a bandeira nacional é desrespeitada com frequência, e a bandeira do Piauí, que deveria simbolizar pertencimento e identidade, foi usada como pretexto para um investimento milionário sem sentido social.
O problema não está em exaltar a identidade piauiense, mas em desconectar símbolos do povo da realidade do povo. Gastar milhões em publicidade simbólica enquanto serviços essenciais faltam – saúde, educação, segurança, abastecimento de água – é desprezo pelo cidadão. Quem mora no Sul do Piauí está sem água na torneira. Não tem o líquido precioso nem mesmo para beber.
O investimento em bandeirolas transforma a comunicação estatal em instrumento de distorção da realidade, mascarando falhas administrativas. A comunicação pública deveria ser uma extensão da governança, e não um substituto dela. Essa dinheirama deveria ser gasta na divulgação das obras públicas, muitas das quais se encontram paralisadas. Quando usada para autopromoção política, a comunicação viola os princípios de impessoalidade e transparência.
E da mesma forma que a publicidade dos atos administrativos é um imperativo constitucional, o conteúdo nela veiculado exige também transparência na aplicação dos recursos públicos. Ou seja, houve licitação? Quem ganhou a concorrência pública? Qual é a empresa? É piauiense?
O povo do Piauí merece respeito: pelo seu trabalho, pelo seu esforço, pelo seu suor diário. Merece que cada real do erário seja aplicado com responsabilidade, priorizando o que realmente impacta a vida das pessoas, e não em espetáculo visual para impressionar quem pouco entende das dificuldades locais.
Do ponto de vista econômico, o gasto é duplo: fiscal e reputacional. Cada real gasto em marketing simbólico é percebido como real subtraído de políticas essenciais. A população percebe imediatamente a desconexão entre a propaganda e a vida real, e o resultado é descrédito e indignação. A campanha de “orgulho piauiense” reforça a sensação de desperdício e insensibilidade social, e coloca em dúvida o compromisso do governo com os interesses do povo.
Em resumo, o erro do governo ao apostar em bandeiras e marketing simbólico num Estado com carências básicas é apenas estético, cosmético. Comunicação pública não deve mascarar problemas, mas traduzir resultados concretos e orientar políticas de transparência. Quando o marketing tenta substituir a gestão, quem treme não é a bandeira do orgulho, mas o elo entre governo e sociedade.
O povo piauiense merece respeito e consideração, e isso inclui a forma como o erário é usado. Gastar milhões em bandeiras, enquanto a vida real do cidadão continua cheia de dificuldades, é um desrespeito que não pode passar em branco.
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