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Política A PESO DE OURO

R$ 13 milhões em bandeiras: um 'despilfarro' do dinheiro público no PI

Quando o orgulho piauiense vira desculpa para gastar sem critério

16/10/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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As bandeirolas mais caras da história do Estado do Piauí - Foto: Reprodução
As bandeirolas mais caras da história do Estado do Piauí - Foto: Reprodução

Se tem uma coisa que o piauiense não esconde e se enche de orgulho, é de ser do Piauí. O sujeito pode falar mal de muita coisa, até da própria mãe, mas não toque na nossa terra. O piauiense carrega no peito o orgulho da história, da cultura e dos símbolos do Estado. Mas daí o governo do Estado interpretar isso ao pé da letra e justificar um gasto de R$ 13 milhões com bandeiras, é dar muita "bandeira" do gasto desenfreado É abusar da paciência do povo. É literalmente rasgar o suado dinheiro dos impostos dos piauienses. É cuspir na cara de quem paga tributo e luta todos os dias para sobreviver.

O orgulho do nosso povo não precisa de "bandeirolas" caras para ser afirmado. Nossa bandeira nos enche de orgulho, sim. Temos orgulho dos nossos símbolos, da nossa história. Mas R$ 13 milhões em bandeirolas espalhadas pelo Estado? Que gasto é esse, que nada agrega à vida real do cidadão?

O secretário de Comunicação, Marcelo Nolleto, tentou se justificar:

“É que nos EUA a bandeira está em todo lugar. Na rua, nas praças, nos prédios, nas asas”.

Sim, senhor secretário. Lá se tem orgulho da bandeira americana, tanto que ninguém ousa queimá-la ou pisá-la. Aqui – bem ao contrário – a bandeira nacional é desrespeitada com frequência, e a bandeira do Piauí, que deveria simbolizar pertencimento e identidade, foi usada como pretexto para um investimento milionário sem sentido social.

Comunicação pública e coerência contextual

O problema não está em exaltar a identidade piauiense, mas em desconectar símbolos do povo da realidade do povo. Gastar milhões em publicidade simbólica enquanto serviços essenciais faltam – saúde, educação, segurança, abastecimento de água – é desprezo pelo cidadão. Quem mora no Sul do Piauí está sem água na torneira. Não tem o líquido precioso nem mesmo para beber.

O investimento em bandeirolas transforma a comunicação estatal em instrumento de distorção da realidade, mascarando falhas administrativas. A comunicação pública deveria ser uma extensão da governança, e não um substituto dela. Essa dinheirama deveria ser gasta na divulgação das obras públicas, muitas das quais se encontram paralisadas. Quando usada para autopromoção política, a comunicação viola os princípios de impessoalidade e transparência.

E da mesma forma que a publicidade dos atos administrativos é um imperativo constitucional, o conteúdo nela veiculado exige também transparência na aplicação dos recursos públicos. Ou seja, houve licitação? Quem ganhou a concorrência pública? Qual é a empresa? É piauiense?

O povo do Piauí merece respeito: pelo seu trabalho, pelo seu esforço, pelo seu suor diário. Merece que cada real do erário seja aplicado com responsabilidade, priorizando o que realmente impacta a vida das pessoas, e não em espetáculo visual para impressionar quem pouco entende das dificuldades locais.

Custo fiscal e reputacional

Do ponto de vista econômico, o gasto é duplo: fiscal e reputacional. Cada real gasto em marketing simbólico é percebido como real subtraído de políticas essenciais. A população percebe imediatamente a desconexão entre a propaganda e a vida real, e o resultado é descrédito e indignação. A campanha de “orgulho piauiense” reforça a sensação de desperdício e insensibilidade social, e coloca em dúvida o compromisso do governo com os interesses do povo.

Conclusão: o marketing não pode substituir a gestão

Em resumo, o erro do governo ao apostar em bandeiras e marketing simbólico num Estado com carências básicas é apenas estético, cosmético. Comunicação pública não deve mascarar problemas, mas traduzir resultados concretos e orientar políticas de transparência. Quando o marketing tenta substituir a gestão, quem treme não é a bandeira do orgulho, mas o elo entre governo e sociedade.

O povo piauiense merece respeito e consideração, e isso inclui a forma como o erário é usado. Gastar milhões em bandeiras, enquanto a vida real do cidadão continua cheia de dificuldades, é um desrespeito que não pode passar em branco.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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