
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já entrou em modo eleição. Há meses, o chefe do Executivo parece mais dedicado à pré-campanha do “vale tudo” pela reeleição do que à gestão do país. Entre discursos inflamados e promessas mirabolantes, Lula tenta reacender a popularidade em queda e resgatar o carisma que o consagrou nas urnas, mas que hoje dá sinais de esgotamento.
Se na eleição passada o bordão era “cervejinha no fim de semana e picanha na mesa do trabalhador”, agora o apelo é outro: botijão de gás gratuito, tarifa zero no transporte público e jornada de trabalho reduzida. São bandeiras de forte apelo social, mas de baixa viabilidade econômica, que levantam suspeitas sobre o real objetivo do governo. A sensação é de que Lula já não governa — apenas faz campanha.
O chamado “kit reeleição” foi montado com o auxílio do Congresso e recheado de subsídios bilionários, da conta de luz ao Imposto de Renda. A nova etapa da estratégia petista inclui a defesa do transporte gratuito e a redução da carga horária para quatro dias por semana. As ideias têm forte apelo popular, mas provocaram reações negativas no mercado e na equipe econômica, que enxergam nelas ameaças à sustentabilidade das contas públicas.
Analistas alertam que o populismo fiscal pode corroer o pouco espaço orçamentário restante. A simples menção do ministro Fernando Haddad à gratuidade dos ônibus derrubou a Bolsa de Valores e aumentou o dólar. Segundo a Confederação Nacional do Transporte, o custo da tarifa zero poderia chegar a R$ 90 bilhões anuais — dinheiro que o governo não tem e o contribuinte não quer pagar.
Na frente trabalhista, o PT apoia uma PEC que reduz a jornada semanal para 36 horas e elimina o regime 6x1. A proposta, apresentada pelo PSOL, já divide opiniões no próprio governo. Entidades patronais, como a CNI e a CNC, afirmam que a medida elevaria os custos das empresas, prejudicando a competitividade e o emprego. Críticos veem a iniciativa como uma tentativa de Lula reviver o discurso sindicalista que o consagrou, mas sem base econômica real.
Para o cientista político Ismael Almeida, o movimento revela desespero eleitoral. Segundo ele, Lula aposta em pautas que soam bem nas redes sociais, mas que o eleitor tende a perceber como promessas inviáveis. “A conta não fecha. É caridade com o chapéu alheio. O governo fala para os convertidos, não conquista novos apoios”, afirma.
Mesmo diante da instabilidade e do desgaste, Lula segue confiante. “Se a gente brincar em serviço, acaba dando chance para o adversário. É muito difícil alguém nos vencer em 2026”, disse o presidente em recente visita ao Maranhão. A frase revela a disposição de ultrapassar os limites do populismo econômico para tentar garantir um quarto mandato no Palácio do Planalto.
A questão que fica é: o povo vai acreditar novamente? Entre gás de cozinha e passagem gratuita, o eleitor parece dividido entre a necessidade imediata e o cansaço com as velhas promessas. O governo aposta em benefícios paliativos para conter o descontentamento, mas o risco é claro — o Brasil pode estar assistindo à transformação de Lula de líder popular em populista cansado, sem rumo e movido pelo desespero.
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