
A corrupção dentro do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) atingiu níveis nunca antes vistos.
O que se vê é um roubo em massa contra aposentados e pensionistas, um golpe sistemático, engenhado com frieza mafiosa e sustentado por uma rede de conivência, silêncio e poder.
Foram anos de desvio, articulados por uma estrutura que lembra o funcionamento de organizações criminosas de colarinho branco, com ramificações políticas e sindicais.
O alvo? Os idosos — os velhinhos e viúvas do INSS, gente simples que acreditava estar protegida pelo Estado.
O esquema envolvia servidores, diretores do Instituto e líderes sindicais, tudo sob o olhar complacente do Ministério da Previdência Social e do próprio governo federal.
Segundo apuração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI-INSS), o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) funcionava como um verdadeiro braço financeiro da corrupção.
A CPI revelou algo estarrecedor:
254 mil aposentados tiveram descontos indevidos em seus benefícios, sem qualquer autorização.
Foram R$ 1,2 bilhão desviados.
O Sindnapi era controlado por Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como figura-chave para legitimar o esquema.
Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União/AL), a quadrilha operava como uma “organização criminosa familiar”, desviando recursos por meio de taxas, contribuições e operações financeiras suspeitas.
O mentor inicial do golpe, Milton Baptista, conhecido como “Milton Cavalo”, chegou a ceder o cargo de vice-presidente a Frei Chico após a morte de João Feio, o outro articulador do sindicato.
Documentos apresentados à CPMI revelam a divisão detalhada do dinheiro roubado entre familiares de Milton Cavalo e João Feio.
A CGU (Controladoria-Geral da União), que deveria ter atuado, foi acusada de omissão.
Nem o Coaf, encarregado de identificar movimentações atípicas, teria percebido o fluxo bilionário.
Enquanto o povo aposentado contava moedas, a cúpula do esquema movimentava dezenas e até centenas de milhões de reais por meio da CMW Corretora e do Banco BTG, que também surgem citados nas investigações.
Nem mesmo o silêncio de Milton Cavalo diante da CPMI impediu que as entranhas da corrupção fossem expostas. O relator não poupou palavras:
“O Sindnapi foi transformado em uma organização criminosa que saqueou aposentados e pensionistas”.
A verdade é que o maior escândalo da história do INSS ocorreu diante dos olhos de quem deveria fiscalizar. A CGU, o Coaf, o Ministério da Previdência — todos silenciaram. E quando o então ministro Carlos Lupi foi alertado, nada fez.
O resultado?
Milhares de aposentados enganados. Bilhões desaparecidos. E uma certeza dolorosa: a corrupção no Brasil continua premiando os que roubam — e punindo quem trabalha.
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